É o bicho!

— O meu palpite é a vaca.

— Vaca, Arnaldo?!

— Sempre jogo na vaca.  Simpatizo.

—Até entendo: muita gente joga num bicho só.  Mas, vaca?!

— É o último bicho da lista.  Fico com pena.

— Bobagem.  Se o negócio é posição, melhor jogar no avestruz: é o primeiro da lista.

— Gosto da vaca, Luísa.

— Arnaldo, vaca nem bicho de zoológico é.  Joga no avestruz.

— A vaca é muito mais útil, a gente aproveita tudo. Vai dizer que você não curte um bom churrasco?

— Avestruz também se come, sabia?

— Chega de conversa fiada. Resolve logo se vai ser vaca ou avestruz.  Enquanto vocês ficam aí brigando, a fila tá crescendo.

— É isso aí, moço.  Esses dois de bobeira e eu morrendo de pressa.  Decide, gente!

— Só um minuto, minha senhora.  Vou jogar dez reais na vaca.

— Até que enfim.  Vai cercar?

— Não seja precipitado, Arnaldo, vamos pedir uma segunda opinião: moça, a senhora prefere vaca ou avestruz?

— Minha filha, eu vou jogar no camelo.

— Ih, sujou. Olha lá o guarda vindo em nossa direção.  Fui.

— Tão vendo?  Nem deu tempo de fazer a minha aposta.

— Fica triste não, moça, você economizou.  Ia jogar no camelo, mas vai dar vaca.

— Pensando bem, você tem razão.  Economizei mesmo, porque agora tenho certeza de que vai dar burro ou veado.

— Arnaldo, olha no que deu essa sua teimosia: a mulher acabou te ofendendo.

— Problema dela, Luísa.

— Quer saber, Arnaldo?  Quando o bicheiro voltar, quem vai jogar no avestruz sou eu.

— Nada disso: deixa a autoridade decidir.  Seu guarda, me diga uma coisa: o senhor gosta mais de avestruz ou de vaca?  Não vale mentir.

 

 

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