É nóis!

Olha, eu preciso citar a Noga, porque, embora nos conheçamos, digamos, há umas decadazinhas, mantivemos uma relação que não sei como descrever. É. Nas vezes em que eu lia o blog dela, ela comentava alguma coisa comigo, eu sabia que ela ralava e que não ia desistir nunca, e eu de minha parte nem tenho esse vocábulo no meu dicionário pessoal. Cá nos encontramos. Fisicamente, rapidamente, na Farra I aqui no Rio, e ela me encontrou mas não me viu: disse que eu não fui. Nem discuti.

Agora leio a sua crônica sobre a viagem de férias/aniversário a Paris com o Alan, seu marido, e o reencontro com James Joyce, figura obscura para mim, que nunca o conheci. Meus sessenta anos devem chegar no ano que vem, em 2013. Engraçado. Implico com certas coisas, assim, pura e simplesmente, como foi o caso de James Joyce. Vi várias vezes nas mãos de amigos aquele livro enorme, todo mundo se deliciando e tal. O livro se chamava Ulisses. Poucas vezes peguei na mão um exemplar, sem interesse nenhum, tanto que não me lembro uma palavra, um capítulo, se é que tem. Sempre me pareceu uma coisa sombria.

Tive outros interesses literários, assim apaixonados, compulsivos. Li uma tradução da Divina Comédia em que cada página era meia — a outra meia toda em notas de rodapé. Eu lia aquele italiano antigo e tentava me entender com a tradução. Para começar, era escrito em verso. Isso. Com ilustrações do Gustave Doré, magníficas e esplendorosas. Só li o “Inferno”. Passei meses — menos que um ano, só pensando em versos.

Não sei se esse foi o livro que mais me impressionou, mas faz parte dos cinquenta mais. Na minha lista há muitos brasileiros, gente que me impressionou deveras. Mas nunca pensei no ato de escrever como um trabalho: pelo contrário. Até os 30 anos me considerava incapaz de escrever um bilhete, embora desenhasse, muito bem, modéstia à parte. O desenho nunca foi um desafio para mim.

Agora, lendo a crônica da Noga, as sincronicidades, a leveza que ela espraia, transmitindo uma liberdade que acolho, decido mantê-la com cuidado, essa liberdade, até meu aniversário de sessenta anos. Falo só por mim: viajei por essa crônica de carona, em uma brisa de liberdade, por dentro de mapas, lugares casas, vidas. Vou ter que ler o famoso Joyce. Um dia.

 

 

7 comentários em “É nóis!

  • 11/02/2012 em 23:47
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    Rosangela

    Vou te confessar!Só para você!
    Não li Ulisses!
    Adorei sua crônica,
    Abs,
    Gustavo

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  • 11/02/2012 em 17:01
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    Oi, Rosângela! Que bom que você voltou…
    Também implico com Joyce, sem mais nem quê… Preconceito besta, talvez até infantil. Tenho Ulysses na minha estante há décadas… Desde o “Circulo do Livro”. Uma vez ensaiei ler e só me lembro de uma coisa boba, um personagem que cortava as unhas às quintas feiras…
    Vou embarcar na sua canoa e vou ler de “cabo a rabo”… Um dia!
    Grande abraço,
    Raul

    Resposta

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