Dor e Sofrimento

Ai! Que ando embirrada com os jornalistas. Semana passada já reclamei deles, mas vejam só se não tenho razão. Hoje de manhã, ao abrir o jornal, me deparo com a manchete: “Governo quer acabar com a cracolândia pela estratégia de ‘dor e sofrimento’”.

Depois de ler toda a matéria, que pela manchete parecia uma crítica ao governo, percebi que este havia destacado parte da polícia para impedir o tráfico de drogas e os usuários estavam se sentindo mal por causa da abstinência. Os agentes sociais têm esperança de que, dessa forma, os viciados procurem ajuda na rede de saúde.

Gente! Vamos combinar. Droga é proibido!! A obrigação da polícia é combater o tráfico, aliás, na minha opinião, a pior praga pela qual a humanidade já passou. Lembro-me dos cursos de catecismo, quando se falava das sete pragas do Egito; mais tarde na faculdade de economia aprendi sobre a peste negra na Europa medieval; e tudo aquilo era pinto se comparado ao que ocorre nas nossas cidades. O pior da droga é que ela, além dos malefícios diretos ao consumidor, ainda traz consigo a violência como efeito colateral.

Infelizmente, o governo tem razão, pois só se consegue superar as dificuldades através da dor e do sofrimento. Eu mesma, mal comparando, nesse período estou passando por situação similar. Resolvi emagrecer e para isso passo fome, tenho síndrome de abstinência de chocolate, o meu corpo todo dói de tanto correr (uma hora por dia), fazer musculação e ainda jogar tênis ou beachtennis, ou seja: dor e sofrimento. Entretanto, a satisfação de se atingir uma meta através do esforço é muito gratificante.

Quando eu disse que o governo tem razão me referia exclusivamente a este fato específico, não vamos generalizar, que ele não merece. Já vou me perder mais uma vez, mas falando de governo me lembro de política e daí recordo uma passagem do ex-presidente Jânio Quadros, um gênio sob alguns aspectos. Na oratória era imbatível, tendo, inclusive, em campanha pela Prefeitura de São Paulo, deixado FHC por baixo num debate. E ensinando a um novo político como deveria se comportar, disse: “maltrate os jornalistas”. Ele próprio se referia a estes como cachorros durante uma campanha; depois de eleito, e ao final de um eficiente e bem-sucedido governo, quando a mídia era só elogios, Jânio disse que queria se redimir de tal afirmação. Convocou a imprensa e disse que quando chamou os jornalistas de cachorros não pretendia ter ofendido os pobres animaizinhos, sendo que ele próprio tinha vários e os admirava muito.

Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, e posso afiançar que todo aquele tipo de meio doidinho era mesmo tipo, pois Jânio era uma pessoa de conversa afável e sabia entreter pessoas de todas as idades com sua prosa fácil.

Estou pensando em maltratar os jornalistas também. Assim, quem sabe eles se dão conta de que devem fazer o seu trabalho e que, além de vender jornal via manchetes escandalosas, também têm que fazer sua parte no sentido de trazer cultura e estimular as coisas da nossa terra. Faço uso de meu jus esperneandi.

 

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2 Resultados

  1. isabel neuwald disse:

    É, concordo e assino embaixo, bjs: Belzinha

  2. Luiz Boz disse:

    Realmente, jornalistas principalmente esportivos gostam de apanhar, veja o Caso do Muricy e Felipão, eles estão sempre de mal humor e parecem que dão entrevistas por obrigação, mas quanto mais eles se portam assim mais os reporteres os respeitam e vivem babando ovo. Enquanto que o Tite e outros são educados e finos, esses sim eles pegam para tirar uma casquinha.
    Parabéns por mais esta crônica.

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