Doping & autodoping mental

Doping: “Também chamado de “dopagem” é a administração ilícita de uma droga estimulante ou estupefaciente com vistas a suprimir temporariamente a fadiga, aumentar ou diminuir a velocidade, melhorar ou piorar a atuação de um animal ou esportista.”

Controle mental: “É um termo genérico para diversas teorias controversas que propõem que o pensamento de um indivíduo, bem como seu comportamento, emoções e decisões a serem tomadas, possam estar sujeitos à manipulação arbitrária de fontes externas. Também é conhecido como lavagem cerebral (do inglês brainwashing). A possibilidade desse controle e os metódos para assumi-lo (de forma direta ou sutil) são temas para discussões entre psicólogos, neurocientistas e sociólogos. A definição exata de controle mental e a extensão de sua influência sobre o indivíduo também são debatidos. Os diferentes pontos de vista sobre o assunto possuem implicações legais. Controle mental foi o tema do caso judicial de Patty Hearst e de vários julgamentos envolvendo novos movimentos religiosos. Questões sobre controle mental são levantadas em debates éticos relacionados ao assunto de livre arbítrio.

A questão de controle mental já foi discutida em conjunto com religião, política, prisioneiros de guerra, totalitarismo, manipulação de células neurais, cultos, terrorismo, tortura e alienação paternal. Enquanto o controle mental continua sendo um assunto controverso, a principal possiblidade de suas influências sobre um indivíduo por métodos como publicidade, manipulação da mídia, propaganda, dinâmicas de grupo e pressão pública são bem pesquisados pela psicologia social e hoje são indisputados.”

Diosa_FortunaFazemos escolhas, tomamos decisões baseadas no que “achamos verdadeiro”, que, em resumo, são todas nossas crenças, falsas ou não, sobre o mundo que nos rodeia. Aparentemente, parece inofensivo. Porém podemos ver todo dia as terríveis consequências de acreditar em fatos que não são consistentes com a realidade. Vejamos alguns exemplos amplamente divulgados:

— Certas seitas religiosas “acreditam” que  a transfusão de sangue é “pecado”, e com base nessa mentira crianças têm morrido por falta de auxilio médico, negado a elas pelos próprios parentes.

— Os famosos “Homens-Bomba”, que acreditam que ao morrer subiram aos céus, onde os esperam 15 virgens, maná e rios de vinho, como recompensa pelas atrocidades cometidas em nome de seu Deus.

— A tradicional crença brasileira de que manga com leite faz mal, divulgada pelos senhores de engenho para que os escravos não tomassem o leite.

Há mais ou menos 600 anos se acreditava que a terra era plana, o centro do Universo, que fomos criados como espécie “mestra e divina” para reinar sobre a terra, e que os reis tinham a fonte de seu poder em Deus.

Modernamente, cremos na superioridade racial, que o capitalismo é o único sistema que pode satisfazer as necessidades materiais do homem, que as pessoas não podem mudar para melhor e que nossos políticos e governos visam o bem do cidadão, isso, sem contar com o festival de seitas e ordens, cada uma mais caótica e dispersiva que a outra.

A única conclusão que posso tirar a este respeito é que a maior parte dos 7 bilhões de humanos sobre a terra, apesar de terem seus corpos no século XXI, pensam e acreditam como nossos ancestrais de 500 anos atrás.

Basta olhar como proliferam cultos e organizações baseados em verdadeiras aberrações de conhecimento e bom-senso. O ser humano, segundo diz um filosofo, “gosta de ser enganado”, e esse processo de lavagem cerebral é o “Doping Mental”.

Temos outro, o “Autodoping Mental”, nascido, criado e espalhado por autores de livros de “autoajuda”, do tipo O segredo e Quem Somos. Desfilam perante nossa mente figuras estrambóticas e conceitos distorcidos, roubados da ciência.

O que preocupa é que milhares de pessoas aceitam essas ideias sem a menor prova ou embasamento, e pior tomam decisões importantes baseadas nesses “dogmas”. Parece que a capacidade crítica desapareceu, deixando seus crânios ocos.

Na Idade das Trevas dominavam bruxas, súcubos, satanás e a maior e mais bem-sucedida das invenções das seitas baseadas em Cristo: Paraíso e Inferno! É difícil entender como ainda hoje milhões acreditam nestas bobagens, e fazem escolhas, às vezes perigosas, baseadas nelas. O maior farsante de toda a história moderna, Constantino, Imperador de Roma, que usou pela primeira vez as seitas para fins políticos, fez do Cristianismo uma instituição romana. Assassino de sua mulher, filho e alguns parentes, sem contar com muitas ações perversas, esse homem levou a cultura ocidental a mil anos de obscurantismo.

Devemos deixar à parte a liberdade poética de usar esses mitos para finalidades artísticas e literárias, saber o limite entre a ficção e a realidade. Isso requer independência intelectual e muito senso crítico, qualidades que os “governos” da América Latina odeiam até a morte. O reduto da Igreja, por exemplo, é um desses onde os mitos e folclore crescem como cogumelos azuis, alienando milhões. O ex-ditador Chávez, por exemplo, tornou-se quase um deus na Venezuela, com múmia e apetrechos celestiais. Eu não ficaria surpreso se em pouco tempo acontecessem milagres bolivarianos!

Mas o assunto é mais perverso… Os grandes grupos empresariais nos bombardeiam com milhões de mensagens, algumas crianca-manipulada1subliminares, para que “doemos nosso dinheiro” em troca de produtos dos quais, na maior parte das vezes, não precisamos, ou que no mínimo não valem o que pagamos por eles. Este ano, um dos magnatas dos grupos de fabricantes de automóveis nos Estados Unidos declarou: “Os brasileiros, pelos altos preços que pagam, devem achar que nossos produtos são feitos de ouro!” Creio que o comentário é esclarecedor.

Aceitamos afirmações falsas sobre produtos e seus benefícios; os supermercados estão abarrotados de produtos baseados em açúcares e carboidratos, extremamente nocivos para a saúde, com grande margem de lucro para os fabricantes — lixo alimentar apoiado por grandes campanhas de propaganda, enquanto os governos fecham os olhos ante o grande mal que é feito à população.

Nos contaram que vivemos numa sociedade “capitalista”, ledo engano! Numa sociedade capitalista “todos têm poder de compra”, não somente 10% da população, no melhor dos casos. Da mesma forma a outra face da mesma moeda:  mentem ao mencionar sociedades utópicas baseadas no comunismo, que não passa de uma ditadura do estado.

As pessoas têm medo de falar isso abertamente, de se tornarem um pouco “hereges”, mas questionar o mundo é a única atitude inteligente que temos à nossa disposição.  Todo dia temos provas da farsa descomunal na qual existimos: são escândalos nas igrejas e governos, pessoas de imagem “inatacável”, como Madre Teresa de Calcutá, que se revelou mais uma fraude.

Quando temos algum problema na nossa vida, corremos à procura de um livro, pastor, padre ou qualquer coisa parecida para sermos enganados. Esse autoengano nos devolve uma ilusória paz de espirito e felicidade, apesar de não mudar em nada a realidade. São frases verdadeiramente idiotas, como as de J. Ray (O segredo): “Comece imediatamente a gritar para o Universo: A vida é tão fácil! A vida é tão boa! Todas as coisas boas vêm até mim!”. Como se se tratasse de se sentar e esperar que a corneta da fortuna despencasse sobre nossas cabeças. A “fé” é a inteligência dos tolos!

Achamos que estamos neste planeta com um seguro de Deus, em quatro vias, que irá resolver por “ars mágica” nossas futilidades, preencher nosso ego; que um ser supremo vai mudar as leis do Universo para você, João ou Joana da Silva, obter um carro BMW, aquela mansão de 15 quartos à beira do Mar Báltico; ou que numa situação limite vai salvar um ente querido com câncer terminal, simplesmente por ser uma boa ação.

A parte inacreditável dessa historia melodramática é que bilhões de pessoas acreditam piamente nessas e outras falácias. A verdade é que todos nós nascemos, vivemos alguns anos, e morremos (vitimas de alguma doença, assassinados ou de acidente) e não existe ninguém que possa mudar isso. E tomando como posto de ataque esses fatos, alguns homens espertalhões abusam da boa-fé de muitos, usando os recursos materiais obtidos dessa maneira para usufruto próprio! Podemos reconhecê-los nos púlpitos, palanques, programas de televisão, e agora na internet.

Talvez nossa maior frustração e pecado seja morrermos enganados, achando que nossa vida limitada e sofrida neste planeta “vai ser compensada” no além. Isso, na verdade, ajuda a manter as massas “quietas e mansas”, vivendo de esperança, enquanto são exploradas descaradamente. Conheço a pergunta que passa pela mente do leitor: “Sim, concordo, mas qual é a saída? É que estamos acostumados aos filmes e à novela das oito, onde tudo no final termina bem.”

Não existe saída! Como parte das formas de vida neste planeta, estamos condenados a existir (Sartre: “A existência precede e comanda a essência”) com todas as limitações dos demais animais, nos matamos, traímos nosso semelhante pelo amor sem limites ao poder e ouro. Não somos uma espécie “especial” como nos têm ensinado, nem tampouco os “reis da criação”. Vamos desaparecer no ciclo do planeta, seguindo o mesmo destino de todas a formas de vida orgânica.

Não me entendam mal, não estou sendo pessimista, mas creio que o ser humano tem sido enganado, por muito tempo, por interesses alheios ao seu destino. Ou talvez sejamos, no fundo, como aquele personagem de “Matrix”, que conhece a realidade e pede pelo amor de Deus, se ele existir, para voltar ao sonho ideal criado pelo sistema-mestre!

Este vídeo mostra de forma simples “como se tornar Deus em cinco fáceis lições”. É um resumo das táticas utilizadas por muitas seitas, partidos políticos, torcidas esportivas, exército e, por incrível que pareça, até organizações do famoso “marketing de rede” para lavar o cérebro de seus iniciados. Se você as reconhecer, não é mera coincidência!

Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade. (Frida Kahlo)

 

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