Dívida, escravatura econômica: o “tronco” do século XXI

A dívida é a mãe prolífica de loucuras e crimes.

(Benjamin Disraeli)

“A dívida pública federal, o que inclui os endividamentos interno e externo, avançou 2,04% em outubro deste ano, para R$1,94 trilhão, informou nesta quarta-feira (22) a Secretaria do Tesouro Nacional. Em setembro, a dívida somava R$1,9 trilhão.

De acordo com dados do governo federal, um dos principais fatores que impulsionou a dívida pública no mês passado foi a emissão de R$ 20 bilhões em títulos públicos  que foram posteriormente repassados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com o governo federal, o crescimento de R$39 bilhões na dívida pública no mês passado aconteceu, principalmente, por conta da emissão líquida de papéis no valor de R$22,43 bilhões  dos quais R$20 bilhões para o BNDES. Ao mesmo tempo, houve a apropriação de juros no valor de R$15,72 bilhões.” (O Globo – 21/11/2012)

Qual é o “truque” mágico? Mais grave, de onde vêm os recursos para o Banco Central liberar tantos bilhões?

Os governos desejam salvar empresas e grupos econômicos de seu interesse, clamam ao Banco Central e tomam empréstimos, em troca recebem o dinheiro e assinam notas promissórias, em nome do “povo”, para serem pagas no futuro, com o nome bonito de “Letras do Tesouro Nacional”. Depois, pegam esse insumo e fazem uma “doação” para algumas causas perdidas — o nome que dão a esta façanha é “investimento de capital para manter o sistema produtivo”. SHAZAMMMMMM!   DINHEIRO DO NADA!

Esse “investimento” traz consequências dramáticas, para o povo, claro. Com a entrada desses bilhões a moeda desvaloriza e todos nós pagamos um imposto compulsório, chamado de inflação. O desastre vai mais além, já que esses bilhões, imaginários, vão parir outros bilhões imaginários ao serem depositados em outros bancos e circular pelo mercado  isto tem o nome técnico e eufemístico de “geração de dinheiro pela Reserva Fracionária”.

O que acontece quando os governos fazem uso frequente desse expediente? Transformam-se numa Grécia ou Portugal, nos quais a relação entre PIB (Produto Interno Bruto, o que os pais produzem no ano) e dívida pública (externa e interna) é superior a 80%. Logo, o índice nos diz quanto falta para o pais entrar em falência, no Brasil, em 2012, próximo de 60% — um índice  manipulado, usando a dívida pública líquida e não a bruta, que por si merece um post —, o ponto de inflexão está em 50%. Estamos caminhando por sendas perigosas, brincando com dinheiro imaginário e doações fraudulentas ou, no mínimo, irresponsáveis.

Aliado à manipulação de juros, à oferta de empréstimos sem garantia para as pessoas comprarem e se endividarem, o palco está pronto para o desastre da crise econômica de um pais. Ainda dando um voto de confiança para as boas intenções do governo, temos os “intermediários” da jogada, que desviam os recursos. O exemplo legendário: Bush e Obama jogaram fora US$1,5 trilhão, sendo que US$1,0 trilhão foi desviado, chegando ao primeiro lugar de todos os tempos, com a maior dívida pública! Empresas pequenas e sem recursos, como EXXON, GM, CITYBANK, entre outras, foram as favorecidos. Enquanto isso, milhões de americanos estão passando pela pior crise deste século.

Desgraça pouca é bobagem: lembram-se das Obrigações do Tesouro Nacional? Têm que ser pagas. O Banco Central oferta esses papéis a preços e juros baixos, o Primeiro Mundo compra (conglomerados financeiros multinacionais), e como o Estado não pode saldar sua dívida, oferece pagamento em espécie: ouro, petróleo, soja… Eis a maravilha: “lavagem de dinheiro podre”. O que era imaginário se torna real, como, por exemplo, a privatização da Vale do Rio Doce. É a riqueza da nação indo pelo ralo!

Como se faz para pegar um pote de ouro, do tamanho de uma montanha,  e vendê-lo pela metade do valor?  “A Vale é uma das maiores mineradoras do mundo. Brasileira, criada em 1942 no governo Getúlio Vargas, a Vale é hoje uma empresa privada, de capital aberto, com sede no Rio de Janeiro, e com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBOVESPA), na Bolsa de Valores de Paris (L15) (NYSE Euronext (L16), na Bolsa de Valores de Madrid (L17) (LATIBEX (L18), na Bolsa de Valores de Hong Kong (L19) (R4) (HKEx (L20) (R5) (HKEx) e na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), integrando o Dow Jones Sector Titans Composite Index. A Vale tornou-se, hoje, a maior empresa de mineração diversificada das Américas e a segunda maior do mundo. É a maior produtora de minério de ferro do mundo e a segunda maior de níquel. A Vale destaca-se ainda na produção de manganês, cobre, carvão, cobalto, pelotas, ferroligas e alguns fertilizantes, como os fosfatados (TSP e DCP) e nitrogenados (ureia e amônia).”  O subsolo de uma nação pertence ao povo, não poderia ser negociado como um saco de batatas.

Pasmem, R$900 bilhões do orçamento de 2013 (43%) destina-se ao pagamento de juros da dívida pública. Sem contar o socorro aos bancos, como  o Cruzeiro do Sul — uma empresa de auditoria (Pricewaterhouse Coopers) foi contratada para avaliar as contas “e encontrou uma diferença de R$ 3,1 bilhões no balanço do banco. Descontando o patrimônio líquido do banco, de cerca de R$870 milhões, o “buraco” nas contas é de R$2,236 bilhões“, e muitos outros.

O paradoxo ridículo é que quando o trabalhador, que é o homem que realmente produz riqueza, se quebra, o sistema ajuda a terminar de afundá-lo, com atitudes terríveis  — cadastros como o do SEPROC, que não é constitucional, já que não existe ordem judicial; juros e multas exorbitantes; humilhação pública —, uma coisa meio sem lógica, tendo em vista que resgata “Black Holds” milionários de instituições que, no final da corda, têm um empresário ou diretor por trás, que, alegremente, simplesmente tira umas férias no Caribe e nunca devolve os desvios monetários. Bilhões de reais que foram sugados da saúde, educação e infraestrutura para pagar empréstimos em nome do povo, sem que este tenha dado seu aval explicitamente.

Estes fatos corrompem os valores da juventude, quando esta descobre que trabalhar honestamente é uma coisa extremamente arriscada, que pode colocar sua vida e da sua família em situações desconfortáveis. Os antivalores surgem como cogumelos. Basta olhar certo empresário saindo da prisão para ir embora com uma amante de cinema, num carro mirabolante que paga milhares de vezes a compra do mês de muitos brasileiros, e ainda tendo a coragem de cuspir com suas palavras na sociedade. Como, então, estes homens se apossam de tanto papel-moeda? Certamente, não com trabalho honesto, mas com empresas e instituições financeiras  que desfalcam bilhões e não prestam contas à justiça, nem ao povo, que acaba cobrindo o rombo com seu suor. Posso estar equivocado, mas trata-se de um novo tipo de trabalho escravo, um fenômeno “a nível global”, afetando sete bilhões de almas.

Eis a pergunta na ponta da língua de todos: por que o Brasil não quebrou ainda? Resposta triste: porque esta terra é rica, e ainda tem muitos recursos naturais para queimar nessas atrocidades. Quando as reservas terminarem, vamos ser xingados por nossos descendentes de corruptos, fraudulentos e coisas piores.

O sistema econômico mundial é uma espécie de lepra que se alastra por  nossa sociedade carcomida; os arquitetos da falcatrua ficam nas suas ilhas de prosperidade, nos deixando no gueto da crise e do desespero ao tirar recursos que não lhes pertencem. Em 2012, 1% da população do mundo retém 60% da riqueza, que não é produto do trabalho e sim da especulação e malícia financeira, fato comprovado amplamente na digressão anterior. O mundo do século XXI é uma enorme senzala!

Estamos indo contra a corrente, não faz mais sentido “ajudar” instituições financeiras de um sistema corrompido e falido, mas sim apoiar as pessoas, que no final da cadeia produtiva fazem a diferença, dar-lhes educação, saúde, infraestrutura. Os bancos públicos podem realizar a tarefa monetária com folga, quebrar o círculo vicioso da fraude e investir nas empresas “nacionais de pequeno e médio porte que empregam a maior parte dos brasileiros”, e que com certeza voltarão a crescer, gerando estabilidade para a nação.

Se tantos trilhões fossem usados  honestamente, todos os brasileiros teriam uma vida digna e confortável; estes, porém foram esquecidos por aqueles que cobiçam o poder e riqueza. É obrigação do povo pedir uma auditoria, para saber que fim levou tanto dinheiro, no final das contas é o povo que paga a conta.

Existe sim, uma saída: o povo tomar o leme e aprender a navegar, fazer uso de seu direito de escolha e lutar por ele. Acredito firmemente que, na próxima década, o Brasil encontrará sua identidade como nação, ajudando na reconstrução da sociedade do ocidente. Os olhos do mundo estão se voltando para estas latitudes, os espíritos cansados da América do Norte e Europa hão de beber das frescas águas do hemisfério do Sul.

“Quando querem transformar/ Estupidez em recompensa/ Quando querem transformar/ Esperança em maldição:
É o bem contra o mal/ E você de que lado está?/ Estou do lado do bem/ E você de que lado está?/ Estou do lado do bem.
Com a luz e com os anjos.

O Brasil é o país do futuro!/ O Brasil é o país do futuro!”

(Duas Tribos – Legião Urbana)

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3 Resultados

  1. Nossa Manuel.
    Por essas e mais outras é que decidi abandonar de vez a carreira de economista. Pendurei meu diploma dentro do armário.
    Parabéns pelo texto. Escelente!

  2. rosanechoncholsamparosane disse:

    Excelente!

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