Devia ter trabalhado menos, ter visto o sol se pôr

Neste último fim de semana li um livro que caiu perfeitamente para o momento em que ando vivendo, com trabalho até o pescoço e conectada em aparelhos eletrônicos full time. Chama-se Equilíbrio – a vida não faz acordos, de Flávia Mariano, autora colega aqui da KBR Editora.

O romance conta a história da personagem Marília, uma jovem workaholic assumida, que não tem tempo para mais nada na vida, a não ser as planilhas, o banco, o chefe. Já sua irmã, Melanie, largou tudo (neste caso, a carreira) para se dedicar integralmente à casa, aos filhos e ao marido. Dois opostos que a todo momento se alfinetam e com isso fazem o leitor refletir sobre a busca do equilíbrio neste dia a dia tão apressado, que nos faz cada vez ter menos tempo para fazer o que realmente gostamos.

Encaixou tão bem para mim, que comecei a ler o livro no sábado pela manhã e domingo à noite já havia acabado. Várias passagens e frases da história me fizeram parar e pensar no que realmente é importante e vale a pena neste mundo. Com certeza, trabalhar como desesperada para ganhar dinheiro e por fim não aproveitar a vida, não vale. Até porque, atualmente, trabalhar como desesperada não é nem de longe sinônimo de conta bancária gorda. Entendi com o texto da Flávia que, se não atendermos o telefone na hora do almoço e não checarmos e-mails a cada dois minutos, o mundo não vai acabar. E sabe que me deu um alívio imenso descobrir isso?

Achar o meio termo das coisas é difícil. Quando se é mãe então, piora bastante. O equilíbrio tomba rumo ao desequilíbrio rapidinho; num piscar de olhos. Não é clichê dizer que o maior desafio de uma mulher é conseguir equilibrar em uma balança os filhos, o trabalho, a casa, a vida pessoal e a vida conjugal. É a pura verdade. Precisa de muito malabarismo e uma boa, muito boa psicóloga para que tudo ande no caminho certo. E quando está tudo alinhado, vem a hora de pensar em como manter assim por um bom tempo, sem deixar nada cair.

Tirei algumas lições do livro. Uma é que aparelhos eletrônicos de última geração, como os iPhones e Smartphones, são ótimos realmente, ajudam bastante, mas no fim, o tempo que poupamos trabalhando neles não é usado para ficarmos de pernas para o ar no fim do dia e sim para trabalharmos cada vez mais e mais. E isso é uma grande insanidade, se pararmos para pensar bem. Outra lição é que nada é mais urgente na vida do que estarmos onde o nosso coração deseja estar. No fim, é isso que vamos levar: os bons momentos passados em família, uma viagem especial, um amor, os filhos. Ninguém se arrepende verdadeiramente de não ter trabalhado mais. Se arrepende de não ter vivido um grande amor, de não ter acompanhado de perto o crescimento dos filhos, de não ter vivido intensamente.

Vamos ter cuidado, gente, para que não precisemos lembrar a famosa música dos titãs, que por sinal foi cantada de maneira linda e emocionante na abertura do Rock in Rio, na última sexta-feira. “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais, e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer… Devia ter complicado menos, trabalhado menos , ter visto o sol se pôr. Devia ter me importado menos com problemas pequenos, ter morrido de amor…”

 

2 comentários em “Devia ter trabalhado menos, ter visto o sol se pôr

  • 27/09/2011 em 11:50
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    Que lindo Júlia!!!Pois é,não devemos deixar de lado por nada o que verdadeiramente importa/amamos nessa vida. Amei, vc como sempre 10000…Deus te abençoe,bjãoo

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