Deus ex machina

googleGlassA expressão “Deus ex machina” significa literalmente “Deus surgido da máquina”, e é utilizada para indicar uma solução inesperada, improvável e mirabolante para concluir uma obra de ficção ou drama.

Estamos mais perto do que pensamos da integração entre homens e máquinas. Hoje, entendemos e provamos que absolutamente tudo o que chamamos de realidade é uma mera interpretação do cérebro, um grande ilusionista! Talvez o que chamamos de universo concreto não exista da forma como o percebemos…

Meus caros, vivemos num mundo sensorial, totalmente virtual, modulado e criado por 1400 gramas de massa encefálica nos homens e 1200 nas mulheres, um ogro que consome 60% do oxigênio e 20% de toda a energia que temos. Também é um grande mentiroso: aquela carne suculenta, seu cheiro e sabor, não passam de uma mera “interpretação”, a língua com seus provadores minúsculos, as papilas, transforma químicas sensíveis em impulsos eléctricos que são levados ao cérebro, que usando artimanhas dignas do ilusionista que é nos engana, nos apresenta o sabor, textura e aroma, tudo não passando de uma ilusão. Todo o universo que percebemos com os sentidos é uma simples tradução realizada pelo nosso grande charlatão de cor cinzenta.

Nunca teremos certeza da realidade. Tudo pode até ser uma brincadeira dele. A felicidade… nada mais é que as endorfinas agindo, da mesma forma a paz espiritual, a dor, nosso grande perseguidor, é apenas um impulso quando chega ao crânio. Dói… de mentira. Atrás da cabeça temos uma janelinha quadrada de três centímetros de lado, e dali vemos o mundo através de um minúsculo periscópio, que é toda nossa verdade ou ficção. Contemplamos o passado, nada é instantâneo, os impulsos químicos elétricos levam um tempo até chegarem e serem analisados para montar o cenário apropriado.

Existimos numa pequena garrafa de percepção, uma cela cognitiva! O grande Homo Sapiens não passa de um pequeno funil! No final, quando o último neurônio se desligar, nos apresentará um clarão, que segundo as religiões é a porta de passagem para o paraíso ou inferno, uma obviedade, um botão de off!

Esta semana o Google fez o anúncio de um produto que nos conduz por essas sendas, o Google Glass, basicamente uma prótese que integra mídia, celulares e computadores num único aparelho, controlado por voz e comandos humanos que é capaz de entender. O passo seguinte é mandar os sinais elétricos para o nosso cérebro via eletrodos e pronto, passamos a enganar o pobre coitado com muitas outras realidades. Ele não sabe distinguir o que é real ou não.

Imaginem… Podemos enviar sinais de sabores, cores e até ativar as zonas de prazer para experimentar novas formas de percepção e sensações. Em poucas palavras o corpo se torna um acessório incômodo, caro e mortal. Para aqueles que acreditam na alma, isso se tornará um grande problema, que incendeia a torre do dogma com um raio dos céus!

bionic-eye-p14-420x0A rigor, cada um de nos é um conjunto de informações armazenadas num “repositório” biológico que chamamos de cérebro. Este recebe informações externas na forma de “impulsos” elétricos e os “interpreta” como imagem, som, sabor, tato… Se escaneamos essas unidades de informação poderemos gravá-las em outro “recipiente”. não necessariamente biológico. O segredo reside na forma inicial como se autoestruturam, e ao replicar essa “topologia” estamos replicando o famoso “Eu”.

Obviamente, trata-se de uma tecnologia radical! A maior parte dos humanos atualmente não suportaria a transição, que quebra paradigmas e dogmas fundamentais para a sanidade mental. O Google está dando um passo corajoso para essa nova forma de vida na qual, com certeza ,nos transformaremos. Isso é inevitável.

Posso ver claramente a expressão de dúvida e desconfiança do leitor. Neste momento já temos a tecnologia para fazer a transição que, como efeito colateral, tem a extinção da espécie humana como nós a conhecemos.

Seremos imortais, oniscientes e onipresentes!

Fontes: Google-Glass, Project Glass Wikipedia, Video Google Glass

2 comentários em “Deus ex machina

  • 04/03/2013 em 14:25
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    “O passo seguinte é mandar os sinais elétricos para o nosso cérebro via eletrodos e pronto, passamos a enganar o pobre coitado com muitas outras realidades. Ele não sabe distinguir o que é real ou não.
    Imaginem… Podemos enviar sinais de sabores, cores e até ativar as zonas de prazer para experimentar novas formas de percepção e sensações. Em poucas palavras o corpo se torna um acessório incômodo, caro e mortal. Para aqueles que acreditam na alma, isso se tornará um grande problema, que incendeia a torre do dogma com um raio dos céus!”
    assunto muito pertinente e complexo, o que será do ser humano? espero que tudo seja usado para o bem

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