Dentre as manias que eu tenho…

Há muitos e muitos anos havia, quer dizer, ainda há, mas não se escuta mais, uma música que falava de manias. Convenhamos: todos temos as nossas. Na maioria das vezes não passa de um cacoete que se pode controlar. Mas quando se torna obsessão, é doença, aliás, das graves, e tem que ser tratada para que a pessoa consiga ter uma qualidade de vida suportável.

Lembro-me de um filme com o excelente ator Jack Nicholson em que o personagem tinha esse transtorno, mas o tema é tratado de forma amena, já que é uma comédia. Num momento delicioso da trama, vê-se o cachorrinho que se apegou a ele com os mesmos problemas de TOC — transtorno obsessivo compulsivo — que seu dono.

Decidi tratar deste assunto a partir de um texto sobre as manias que grandes escritores tinham para escrever. Para poupar os historiadores, daqui a muitos anos, de pesquisar sobre as minhas, resolvi facilitar e já contar tudo de uma vez.

Quando escrevo minhas crônicas sempre deixo para a última hora, contando com a adrenalina qua a pressão me traz. Tenho a mania também de escrever tudo de uma vez sem corrigir nada nem olhar o texto, somente quando acabo é que corrijo os erros de digitação, gramática e pontuação e depois mando para a minha editora que passa tudo a limpo. O interessante é que quando leio o texto parece que não fui eu que fiz, daí vou me acostumando com ele e o reconheço. Às vezes gosto, outras não, assim como você, meu caro leitor, mas na vida tudo é assim mesmo. Tem dia que flui, tem dia em que o tema calha com o assunto que você gosta. Alguns sempre deixam algumas linhas comentando ou elogiando, outros dizem na lata que não gostaram, e outros, ainda, só comentam pessoalmente.

Na música que mencionei o autor diz que guarda fósforo riscado de volta na caixinha. Uma das manias que eu tenho é dobrar muito bem os papéis de balas, chocolates, e biscoitos e depois fazer um lacinho antes de jogar fora; outra é acertar bem na beiradinha da mesa a toalha do jogo americano, assim como o copo, que é quadrado. Antes de dormir, sempre tenho que ler ao menos um pouquinho. Quando era menina, voltava da escola a pé e evitava pisar nas juntas dos ladrilhos e até mesmo nas rachaduras do cimento, exatamente como faziam o personagem problemático do filme e seu cachorrinho. Outra mania que a música cita é a de falar mal, mas esse é o esporte nacional, nem pode ser considerado esquisitice.

Numa rápida pesquisa que fiz, constatei que a maior mania dos homens é olhar o traseiro das mulheres. Uma vez vi uma cena impagável: estava dentro do carro esperando alguém e vi um grupo de uns cinco senhorzinhos, bem entrados em anos, daqueles que usam boinas na porta de uma casa, quando veio passando uma daquelas mulatas que deixam qualquer um de queixo caído e eles foram acompanhando o gingado da menina; quando ela passou, eles, que já não tinham mais uma grande mobilidade no pescoço, foram se movendo em pequenos e trêmulos passos até conseguirem ficar em posição de observar o derrière da gostosa. Fiquei pensando cá com meu zíper: a onça perde o pêlo, mas não perde as manchas.

Sei que muitas vezes nos achamos estranhos e nem comentamos sobre essas maluquices com os outros, achando que nos considerariam loucos, mas quando vemos que grandes gênios tinham esses mesmos problemas nos reconfortamos, pois estamos em muito boa companhia. Vejam o exemplo de grandes tenistas como o Nadal, que confere a cueca a cada saque; o Andy Roddick, então, tem um ritual enorme antes de sacar. Jogadores de futebol cospem o tempo todo.

Para ver as estranhezas de grandes personagens, entrem no meu site priscilaferraz.com.br; confiram, e se tiverem coragem, podem postar ali suas próprias manias. Acho que será muito interessante, pois estou certa de que às vezes grandes amigos não conhecem essas facetas de seus companheiros. Não se acanhem.

Depois, podemos exercer a mania nacional e falar mal das manias dos outros.

 publicado também aqui

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

7 comentários em “Dentre as manias que eu tenho…

  • Pingback: Dentre as manias que eu tenho… | Priscila Ferraz

  • 05/05/2012 em 20:25
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    Adorei! Quando eu vejo algum texto ou notícia interessante eu penso: vou mandar pra Pri,quem sabe da uma boa crônica. Essa deu… Beijos.

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  • 05/05/2012 em 15:17
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    OPA!!!
    Esqueci de dizer minhas “manias”:
    De ter família e amigos por perto, não importando se estes de alguma maneira interferem no meu curso da vida, e dar ao tempo o seu tempo. Êta mania boa!!!!

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  • 05/05/2012 em 15:08
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    Querida Pri!
    Quem NÃO tem manias atire a1º pedra!!! É claro que com a idade e experiencia as adquirimos. algumas boas outra nem tanto, mas elas estão aí, sem pressa em sair e talvez aguardando as que irão chegar. E NADA podemos fazer a respeito. Eu lembro das “inocentes”manias de minha mãe, quanta saudade. e se pudesse as repetia para faze~la mais presente.
    Então se ñão fazem mal a outra pessoas, temos todo direito de te-las. Bjs no coração

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  • 05/05/2012 em 10:30
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    Fui no seu blog e gostei muito. Nós temos uma trajetória mais ou menos comum: tb estudei na Caetano, fiz química industrial no Eduardo Prado e depois administração na GV. Não nos encontramos nesses caminhos pq acho que sou bem mais velha que vc. Saí muito da sua trajetória no que se refere aos esportes, fiz um pouco de tenis na escolinha do clube, cheguei a treinar natação até o primeiro dia que fez muito frio. Realmente não é a minha praia. Eu e minha amiga dizemos que é o “começo daquilo” (TOC) quando começamos com manias. Mas acho que não tenho muitas. Sou bastante metódica mas não ao ponto de atrapalhar a vida. Tem uma mania que fiquei admirada que uma conhecida tb tem: deixar os interruptores sempre para o mesmo lado.

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  • 05/05/2012 em 08:27
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    Mania? tenho sim uma insuportável: perseguir a verdade até achar!
    Vou fundo…pergunto aqui e ali, numa verdadeira maratona investigativa.
    Comecei por acaso, por conta de uma cria que, quando adolescente, mentia descaradamente sobre horários, pessoas e compromissos.
    O auge veio num dia em que eu a ouvi no telefone : Ah..tá bom, não vai ter treino hoje? porque? a “tia”está doente? Tudo bem, Carol…obrigada por avisar.
    A mami aqui, que conhecia bem as artimanhas, só teve que pegar a extensão… E, que criativa..Ela estava falando…com a “linha” telefonica… Nao tinha ninguem do outro lado. Conversa fantasma…
    E assim foi… ia a praças matar aula. Eu passava de carro e a via por lá. Quando arguida, ela respondia: voce está louca! Nao era eu…
    Passada a fase, torne-me expert em mentiras … E, nao por acaso, fui me aperfeiçoando nas tais “Mentiras que os homens contam”. Uma delas, a Priscila citou na sua cronica: olhando descaradamente para a bunda alheia, se são flagrados pela namorada/mulher, negam até a morte, afirmando estarem olhando “o porcelanato lindo”, ‘o carro que passava lá atrás”, ou “o cachorrinho fofo’…. Sempre tem algo para ser citado, né?
    Hoje em dia, experiencias vividas e maturidade, nao confronto mais as pessoas e suas mentiras. Só fico sabendo, aqui por dentro, e sorrio! Elas vão caindo nos meus conceitos, até tornarem-se nulas.
    Ah, sim… eu tambem conto mentiras…as “brancas”. O que dizer para uma amiga, com um vestido totalmente inadequado, que JÁ na festa te pergunta: eu estou bem???
    Neste caso, mentir é a unica solução… mais tarde, talvez, dizer; olha…aquele vestido….a cor ( !!!) nao lhe fica bem.
    Pois é. Artimanhas do bem viver social!

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