De homens e cobras

Havia um homem que criava cobras. Na verdade, ele as recolhia dos lugares onde se encontravam, e não eram bem-vindas. Levava um instrumento próprio, as imobilizava, depois as suspendia e as guardava dentro de um saco de linhagem. Ali, no escuro, permaneciam quietas, mas nem por isso deixavam de ser cobras. Qualquer um que inadvertidamente introduzisse a mão dentro de seu abrigo era mordido.

Na vida nos deparamos com vários tipos de pessoas, a diferença é que, por sermos da mesma espécie, nos é mais difícil avaliar o perigo de sua convivência. Não é incomum conviver conosco, se fazendo de amiga ou colega de trabalho, uma dessas criaturas perigosas, de longe calma e tranquila, mas, na sombra, trazendo escondido um veneno próprio e esperando um descuido nosso para injetá-lo em nosso coração.

É através da palavra que essa pessoa nos infecta. Um dia, um comentário, no outro uma observação, e assim ela vai aos poucos destilando seu veneno. Por trás de um sorriso, se esconde às vezes uma imagem mais feia. O ser humano é capaz dos atos mais belos, mas também dos mais feios. Dentre esses, espalhar a intriga, a maledicência, a raiva e a inveja.

No ambiente de trabalho, como na vida, a energia determina a força que teremos para realizar as tarefas propostas. Se agimos com o pensamento positivo, se afastamos os maus pensamentos, se nos propomos a ajudar o colega, transmitimos e recebemos uma carga positiva de energia que nos impulsiona e fortalece.

Do mesmo modo, se abrimos espaço para queixas e lamentação, isso  abaixa nosso nível energético e toda tarefa ou trabalho nos parecerá pesada e cansativa. Trabalho é trabalho, tem dias que é mais difícil realizá-lo, tem dias que é mais gratificante, é do jogo! Agora, querer imputar a outro a razão da nossa revolta, contra a vida e contra todos, é ser maledicente, é espalhar o mal, é não trazer nada de bom.

Ninguém é obrigado a trabalhar em lugar nenhum, todos têm direito de reivindicar seus direitos usando os mecanismos próprios para isso. Em primeiro lugar, falar com seu chefe imediato; se não é escutado, com o que está acima deste, e se nem este quer ouvir, está na hora de procurar outro lugar para ganhar seu pão de cada dia.

A empresa tem o compromisso de ouvir seus trabalhadores; tem ainda a obrigação de proporcionar a estes um bom lugar de trabalho, com condições dignas de respeito e saúde. Mas ela também exige, em contrapartida, o compromisso do trabalho bem feito e realizado no nível da excelência.

O que não se pode é abrir caminho para aqueles que querem nos prejudicar ou ao lugar em que estamos trabalhando. Aprendemos com Paulo: “A boca fala do que está cheio o coração.”

Assim, sugiro que estejamos atentos, vendo e ouvindo além da palavra, para que possamos caminhar tranquilos pela vida, separando o joio do trigo, os homens das cobras.

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