De feitores e chibatadas

Calma, senhores afro-descendentes.  Idem, adeptos da autoflagelação e afins.   Feitores aqui são apenas linguagem figurada, e as chibatadas de efeito moral.

O negócio é o seguinte: todo mundo precisa de alguém que o chicoteie.  Claro que devem existir algumas exceções, mas essas pessoas não podem ser consideradas normais.

Fazer dieta, por exemplo.  Para emagrecer basta comer pouco.  Se você precisa perder peso, por que simplesmente não come pouco?  Em vez disso, contrata uma nutricionista-feitora.  E ainda paga por isso.

Por outro lado, é provável que sua nutricionista precise contratar alguém para chicoteá-la para, digamos, fazer exercício físico de manhã.  Claro que bastaria uma hora de caminhada três vezes na semana.  Mas sabe como é… Sem feitor a coisa não anda (com trocadilho, por favor).  E ainda há a vantagem adicional de ter de quem reclamar.

Reclamar de patrão-feitor, por exemplo, é esporte universal.  Quem não quer ter patrão, trabalha por conta própria.  E aposto que você batalhou um bocado para conseguir o emprego.  Ou não foi?  Admita: é mais fácil reclamar do feitor que você arranjou do que do verdadeiro culpado: você mesmo.

Somos chibateados desde criancinhas.  Dizem, e eu acredito, que se não fosse assim não seríamos bons adultos, isto é, adultos que não causam problemas aos outros.  Os politicamente corretos costumam chamar isso de impor limites, mas é chibatada pura.

Alguém vai dizer que há coisas para as quais não é necessária a chibata.  Eu também  não disse que precisamos de feitores para tudo, mas sempre haverá alguma coisa que demandará um empurrãozinho.  Você pertence a um grupo de estudos ou de autoajuda? Tais grupos nada mais são do que uma conveniente troca de chibatadas.  E os frequentamos por vontade própria, não dá nem para reclamar.

Pois é, se não fossem as tais chibatadas, nem esta crônica existiria.

 

Deixe você também o seu comentário