De chuvas e outras chuvas

Bem que eu queria escrever uma crônica muito alegre, mas o dia hoje não está ajudando muito. São Paulo amanheceu nublado e com uma chuvinha daquelas que vêm para ficar. O dia fica meio cinzento, a cidade meio suja e o trânsito… ah!, essa praga. Ainda mais numa sexta-feira anterior a um feriado prolongado. Insuportável.

A gente já perde tempo saindo de casa muito mais cedo, para ficar praguejando ainda mais; fica olhando nos carros do lado para ver as caras das pessoas, mas a maioria tem aquela película protetora… nem isso dá pra se fazer. O que dá é para ficar imaginando como essa chuva seria benfazeja na fazenda, onde só chove até começo de abril, depois tudo esturrica. Lá, dá para apreciar as gotas grossas começando a bater forte no telhado sem forro, fazendo um barulhão; daí se olha pela janela e vê-se aquela nuvem preta chegando rapidinho. Só dá tempo para pensar em como é bom estar abrigado.

Ela vem que vem bufando. Cai pesada por bastante tempo, depois inverna, fica chovendo mansinho por muito tempo e os animais continuam pastando, como se nada houvesse. É tudo tão calmo… Enquanto isso, lá no vale, o caos provavelmente está tomando conta dos riachos, que engrossam muito depressa arrastando tudo pelo caminho: terra, mato, animais e, de vez em quando, algum incauto desavisado.

Dá para imaginar também a chuva que vem se anunciando no horizonte lá de trás do mar, sendo precedida pela brisa mais pesada, depois aquela ventania balançando o coqueiral, levantando areia e encrespando as ondas — a massa de água que de azul fica cinza — que invadem a terra.

Outra chuva boa é aquela que chega de repente quando você está brincando ou praticando esporte, refrescando o calor e formando poças onde a gente pisa com gosto, espirrando gotículas por todo canto.

Pensando bem, minha reclamação até perde o sentido quando se pensa em chuvas que causam estragos incríveis, levando de roldão os pertences, na maioria das vezes tudo o que aquela gente tem, porque os terrenos nas encostas e localidades com alta periculosidade de desmoronamento são os que sobram para os mais desvalidos construírem suas moradas.

Agora estou bem quentinha, batucando no meu teclado e vendo a chuva mansa bater de leve nos vidros da janela — e isso acalma muito a gente.

Quanto ao feriado, só nos resta jogar ovos no telhado gritando para Santa Clara clarear os céus, mas, pelo andar da carruagem, parece que nem com megafone ela vai nos ouvir: a moça do tempo já declarou que a moda no fim de semana será capa, galocha e guarda-chuva.

 Publicado também no meu blog

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

4 comentários em “De chuvas e outras chuvas

  • 30/04/2012 em 00:48
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    o bom de dias chuvosos é bom pra ficar em casa mexendo só os olhinhos e boquinha rs, assistindo filmes, comendo pipoca… bjs
    Parabéns Priscila
    adorei a foto também

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  • 29/04/2012 em 09:25
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    Compartilho e acrescento: chuva é a propria vida .

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  • 29/04/2012 em 08:02
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    Olá Priscila.
    O feriadão es´ta prometemdo muita chuva!
    Bom para ficar em casa lendo ou dedilhando o computador.
    beijo grande

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