Cuidado! Frágil!

 

— Cuidado, pode quebrar!  Mesmo que seja só uma lasquinha, vai perder o valor. — Cresci ouvindo essa recomendação, primeiro na casa da minha avó, depois na da minha mãe.

Essa jarra está na minha família há gerações, ninguém sabe dizer exatamente quantas.  Parece que foi dada como presente de casamento a uma tataravó.  É de cristal, linda, e vai passando incólume de mão em mão, melhor dizendo, de armário em armário, sem que ninguém se atreva a usá-la.

— Cuidado!  Se lascar, perde o valor!

Valor?  Que valor tem um objeto que não cumpre o seu destino?  Concebido para dar prazer estético às pessoas, terminou virando uma peça inútil.  Não raro coisas muito boas ou muito bonitas trazem embutido o medo da perda, e a gente acaba usando uma jarra de plástico, mesmo.  Perdeu.

Agora a jarra é minha.  Acabei de colocá-la na mesa com suco de laranja.  Não sei se é imaginação tresloucada, mas acho que ela está sorrindo.

 

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