Crônicas parisientes: e bicicleta, o que é?

Prefeito Eduardo Paes, há um ano atrás, divulgando o "Bike Rio".
Prefeito Eduardo Paes, há um ano atrás, divulgando o “Bike Rio”.

Paris. Dia 20 de novembro, quinta-feira, às 18h00, temperatura de 7º; o dia foi todo nublado, como devem ser os dias em Paris. Local: a movimentada Avenue Maine, esquina com Raymond Losserand. Flanava eu em direção à casa de minha amiga Diana, quando, exatamente nesse cruzamento, deparei-me com o sinal fechado para os veículos e aberto para os pedestres, luz verde naquele sinal internacional que representa um homem andando e que acabou conhecido como Johnnie Walker; dois carros parados e eu. Atravessei na faixa dos pedestres e quando cheguei do outro lado, olhando para a rua, deparei-me com uma bicicleta placidamente parada no asfalto, com o farol ligado, conduzida por uma senhora, esperando que o sinal se tornasse verde para então seguir viagem.

A legislação na França é rígida para os ciclistas, as multas pesadas e, dependendo das consequências causadas por suas irresponsabilidades, são devidamente enquadrados no Código Penal, autuados, julgados e presos pelos crimes de lesão corporal, homicídio ou tentativa de. E lá, prisão é prisão mesmo. Holanda, Bélgica, Suiça, Luxembourgo, Inglaterra e os países nórdicos têm medidas parecidas e, sem saber com certeza, posso garantir que o mesmo acontece em todos os países civilizados.

Rio de Janeiro. Cheguei de Paris no dia 1º de dezembro. No dia seguinte descansei, e no outro recebi meu cartão de boas-vindas: no dia 3 de dezembro, segunda-feira, às 11h00, um energúmeno, com a camisa da Drogaria Padrão, devidamente montado em sua arma de duas rodas, fazia malabarismo para passar no meio dos pedestres que ficam em grande número em frente ao Talho Capixaba e à padaria Rio-Lisboa. Logo nas suas barbas, na esquina com a General Artigas, outros três energúmenos, com farda da guarda municipal, falavam em seus celulares. Guarda municipal não para de falar no celular!

Rio de Janeiro. Dia 10 de dezembro, segunda-feira, às dez da matina, Rua Bartolomeu Mitre, sinal em frente ao Zona Sul. Uma jovem ciclista, bonita e bem arrumada, pedalando uma dessas bicicletas que fazem parte do marketing do nosso banco mais importante, cruzou o sinal vermelho para os veículos, quase atropelou uma senhora e ainda levantou o braço gesticulando e reclamando da senhora, a imbecil.

Rio de Janeiro. Dia 22 de dezembro, sábado. Subia eu a rua Timóteo da Costa e depois virei na minha, a Sambaíba. A esquina é cega, e dei de cara com um negão que (sei lá se serei enquadrado em alguma lei, mas “negão” é como sambistas carinhosamente se tratam, e como os jogadores e cronistas se referem a Pelé, enfim, acho melhor do que dizer um cidadão de cor, de tamanho avolumado) descia a Sambaíba, na calçada, levando uma criança no quadro, certamente sua filha, em alta velocidade, e se não salto de lado o marginal me atropelaria. O infeliz ainda soltou um palavrão, certamente por estar eu na calçada atrapalhando o fluxo das bicicletas.

Bicicleta, segundo o mestre Aurélio é : “Veículo constituído por um quadro, montado em duas rodas, ordinariamente grandes, alinhadas uma atrás da outra e com raios metálicos, e que é dotado de selim e manobrado por guidom e pedais.” De acordo com Wikipédia, “bicicleta é um veículo com duas rodas presas a um quadro, movido pelo esforço do próprio usuário (ciclista) através de pedais. Atualmente, é considerado o meio de transporte mais utilizado no mundo”.

Me desculpem os termos contidos nesta crônica, mas é que estou de saco cheio do que fazem os ciclistas, com a complascência das nossas autoridades. São marginais, diria, psicopatas, criminosos, retardados mentais, animais soltos no alfalto. E danem-se os que não gostarem dos termos. A única exceção são os que utilizam suas bicicletas como esporte: com suas roupas coloridas, capacetes, pedalando suas modernas bicicletas, sozinhos, em dupla ou em grupo, respeitam as normas de trânsito, os pedestres, a vida, a cidadania, enfim, se respeitam.

O artigo 24 do Código Nacional de Trânsito estabelece que compete aos municípios a regularização do uso e circulação das bicicletas, respeitadas as normas conditas no mencionado código. O artigo 29, no seu parágrafo segundo, dita que “respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”. E o 58 não poderia ser mais cristalino ao citar que “nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores. Parágrafo único: “A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.”

Ou não sei ler, ou sou uma besta quadrada, ou, realmente, bicicleta é um veículo, sujeito às normas que devem ser respeitadas. Mas como? O prefeito é omisso, os guardas municipais despreparados, o policial nem pensa no caso e os ciclistas, com raras exceções, são um grupo de imbecis, idiotas e criminosos em potencial. Quantas centenas de pessoas foram atropeladas, mortas por esses marginais do asfalto? Duvido que alguém não conheça um caso.

Não quero que divulguem minha crônica para me promover, mas precisamos, isso sim, começar uma campanha para dar um fim a esta marginalidade. Será que não existe uma só pessoa que tenha um relacionamento com o prefeito, com promotores, com delegados, com o raio que o parta, para começarmos a coibir esta criminalidade, agora aumentada pelos que usam bicicletas elétricas? E não tem nada a ver com cultura, tipo físico, grana, cor e condição social. Sentou-se em uma bicicleta, vira psicopata.

Os que conduzem bicicletas e triciclos dos supermercados são assassinos em potencial, e deveriam ser enquadrados no Código Penal Brasileiro, no artigo que trata de tentativa de homicídio. Os do Hortifruti são trogloditas, sem cérebro e sem alma. O Zona Sul terceirizou seus serviços, passando-os para candidatos a marginais que usam roupas vermelhas, talvez inspiradas nos Red Devils, fanáticos e ex-arruaceiros da mais famosa torcida do futebol inglês. Os que trabalham para as farmácias devem receber, sem sombra de dúvidas, orientação de seus gerentes para atingirem o maior número de pedestres possíveis, porque maior será o faturamento em gazes, mertiolato, curativos, anti-inflamatórios e outros produtos semelhantes. Pelo menos, atropelam em causa própria.

Meus queridos amigos, vamos transformar esta crônica em uma bandeira, porque não é aceitável a omissão da prefeitura, de seus subordinados e asseclas e nossa eterna passividade.

Será que medidas somente serão tomadas na Copa do Mundo e durante a realização dos Jogos Olímpicos, para que um turista ou jornalista escandinavo não venha a ser atropelado ou morto? Descobriremos, então, devidamente consternados, que um norueguês vale muito mais do que um carioca. E um suíço, por sua força bancária, ao menos quatro vezes mais.

Chega de tanta impunidade, descaso, acobertamento e hipocrisia. Se você gosta da sua vida, da vida dos seus semelhantes, da sua cidade, do seu direito de ser respeitado, de ser cidadão, por favor, tire o traseiro da cadeira e divulgue esta crônica, a compartilhe com todos seus amigos e conhecidos.

Au revoir.

 

 

7 comentários em “Crônicas parisientes: e bicicleta, o que é?

  • 23/06/2013 em 12:50
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    Adorei sua crônica, Paulo, muito bem escrita, descrevendo com muita propriedade toda a problemática dos maus ciclistas nas ruas. Mas observo que isto é fruto da má educação geral e da frouxidão das leis brasileiras, pois os motoristas de carros e motos também são muito mal educados, e não por acaso é alto o índice de acidentes nas grandes cidades do Brasil. Eu mesmo fui inesperadamente atropelado em janeiro de 2011 pela moto de um inabilitado nas ruas e até hoje luto com as sequelas… Não por acaso eu apelidei o trânsito nosso de cada dia (ou será caos nosso de cada dia?) de “TRÂNSITO ASSASSINO”. E a propósito das leis no Brasil, já sabemos que lei é o que não falta, e a cada dia criam mais e mais leis, só que nunca são devidamente cumpridas! São, como é dito na gíria, “leis para inglês ver”! hahaha Seria cômico não fosse trágico, como gosto de dizer!

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  • 05/01/2013 em 18:23
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    Prezado Paulo, realmente a civilidade e directamente proporcional a educação de um povo. Este assunto é a ponta do “Icebergue”. A única solução é que o governo se toque, e faça um investimento “GIGANTE” na educação e civilidade. Isto não é interessante para alguns grupos. O que temos visto é um forte investimento em fabricar “Peão”, mão de obra barata que se comunica com gestos e alguns ruídos. Mentes que pensam são um grande inconveniente. Assim caminha a humanidade…

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  • 05/01/2013 em 16:57
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    Rapaz você tem toda a razão em seu texto. E ainda digo mais. Existe também o inverso, pois canso de ver pedestres andando e ou correndo nas ciclovias da orla, quando deveriam estar usando as calçadas.

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  • 05/01/2013 em 12:46
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    É um problema serio este,o das bicicletas, houve uma época em que os ciclistas deviam andar na contra mão na pista dos automoveis, agora sem mais nem menos mudaram as leis do transito…vai entender…

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      • 23/06/2013 em 12:10
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        Os ciclistas estão abusando demais, acho que seria necessario colocar semaforos nas ciclovias urgentemente, Paulo de Faria Pinho vc esta repleto de razão e vou compartilhar esta sua cronica de novo, não só no meu mural, como no grupo Partido da Arte.

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