Consciência e a ilusão do livre arbítrio

euA consciência é uma qualidade da mente, e considera-se que abrange qualificações tais como subjetividade, autoconsciência, sentiência, sapiência, e a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente. É um assunto muito pesquisado na filosofia da mente, na psicologia, neurologia, e ciência cognitiva. (Wikipedia)

Livre-arbítrio a expressão usada para significar a vontade livre de escolha, as decisões livres. Há termos sinônimos, também usados para significá-lo, tais como liberum arbitrium, liberum voluntatis arbitrium, libertas arbitrii, ou livre-alvedrio. O livre arbítrio, que quer dizer, o juízo livre, é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos. Ele é uma crença religiosa ou uma proposta filosófica que defende que a pessoa tem o poder de decidir suas ações e pensamentos segundo seu próprio desejo e crença. (Wikipedia)

Uma das experiencias mais interessantes é o chamado teste do espelho, uma medida de autoconhecimento desenvolvida por Gordon Gallup Jr., em 1970, baseada em parte em observações feitas por Charles Darwin. Enquanto visitava um zoológico, Darwin levou um espelho até um orangotango e gravou a reação do animal, que incluía fazer uma série de expressões faciais. Darwin observou que o significado dessas expressões era ambíguo e pode tanto significar que o primata fez as expressões por acreditar que seu reflexo fosse um outro animal, ou que poderia estar jogando uma espécie de jogo com um brinquedo novo. Há nove espécies que passam no teste do espelho, incluindo pegas e elefantes, mas principalmente primatas. A maioria dos bebês humanos não passam no teste do espelho até vários meses de idade.(Wikipedia)

Na realidade podemos induzir a percepção “mística” usando técnicas de concentração ou drogas alucinógenas, chegando pelos dois caminhos a resultados similares, fatos conhecidos pelos “xamãs” de diversas tribos indígenas, até chegar a ter experiencias de contatos com “divindades”. O que queremos deixar explicito é que não existem experiências “mágicas” ou “místicas” no sentido comum, e sim ampliação dos receptores e transmissores que ligam nossos neurônios num contexto químico elétrico. Pesquisas nessa área da neurociências chegaram a estes resultados.

MRIUma das descobertas mais revolucionárias, que pode avaliar grande parte do mito dos processos cerebrais, é que a afamada “vontade” não existe! Esta constatação pulveriza montanhas de livros e teorias sobre “O Poder da Mente”. E mais, isso nos leva a bater contra a parede do “Livre Arbítrio Consciente”, que entre muitas crenças, implicaria na “Não Existência” do mesmo, uma constatação que deixará realmente irritados muitos religiosos, que ficariam sem um de seus principais dogmas.

Porém, as consequências dessas experiencias são mais complexas do que deixar Deus sem sua decisão de fornecer o livre arbítrio aos homens; e nos levam a concluir que a “consciência e o livre arbítrio” são um “efeito posterior”. Talvez sejamos sofisticadas máquinas, respondendo a processos orgânicos.

Faz muito tempo, os homens pensavam que a terra era plana, e esse “mito” estava tão arraigado em suas consciências que nunca foram capazes de aceitar que a terra era redonda. Estamos hoje vivenciando um choque entre a pesquisa neural e as filosofias, inclusive a religião.

Aceitar os resultados e tentar encaixá-los em nossas crenças atuais é impossível. É de certa forma destruir nossos valores, aqueles que equilibram a sanidade mental, para construir outros, um processo destrutivo da personalidade. Outros homens que ainda não nasceram terão que crescer olhando o universo a partir desse novo patamar de autoconsciência, e talvez em algum arquivo digital se conte a anedota sobre aqueles seres humanos que nunca aceitaram verdades tão óbvias!

Pessoalmente, acredito que ainda não estamos preparados para aceitar essas descobertas, da mesma forma como ocorreu com Nikola Tesla; mudar nossas crenças não é simples como trocar de camisa.

Quando era criança, na aula de física, comentei que a “luz tinha peso”. Minha professora ficou irritada, era um contrassenso, na época, a dualidade onda e partícula, conclusão evidente, já que os raios de luz das estrelas se curvam ante o campo magnético de um  corpo celeste. Ela comentou que se fosse assim, a luz do sol a derrubaria no chão. Sua resposta sinalizou que não seria uma boa ideia continuar com meus argumentos.

Lembremos também que Colombo teve que enfrentar a descrença, por parte dos sábios de Salamanca, em relação à esfericidade terrestre. Imaginem os grandes eruditos rindo às gargalhadas de um louco que queria navegar até fim do mundo e despencar no abismo, pensando que na queda poderia ver os quatro elefantes sob uma tartaruga que seguravam a terra plana!

O que mais assusta é como foi possível que durante centenas de anos essas crenças fossem aceitas, atreladas ao modelo geocêntrico de Ptolomeu, e que ainda hoje os resquícios dessas falácias nos assombrem, sendo advogadas por instituições de relevância social e política e criando um universo cheio de elefantes e tartarugas…

As novas descobertas, aquelas radicais, não adicionam conhecimento, elas nos alteram como seres humanos no melhor caso, e no pior nos isolam no futuro da espécie!

A BBC fez um documentário muito interessante sobre estas descobertas, seus dilemas filosóficos dentro do contexto atual de nossas crenças. Evidentemente, existem pesquisas avançadas em andamento, nos levando ao umbral do grande mistério do cérebro humano.

***

Rsrsrs … Na realidade não escrevemos para os outros, e sim para nós mesmos! Toda a baboseira anterior serve simplesmente como emulsão fotográfica, aquele líquido usado antigamente para revelação. Acreditar em dogmas, coisas resolvidas, não é  ruim em si,  mas um veneno para formas de vida inteligentes! Um ser humano resignado às explicações “in box” (políticas, religiões, teorias científicas e milhões de outras entidades…) está morto intelectualmente, o que sob meu ponto de vista é um estado terrível. Não importa se nossos pensamentos são verdadeiros, falsos ou até imorais, mas manter a massa encefálica funcionando é fundamental. Afinal de contas, nosso ciclo nascimento/ vida/ morte é fugaz, sinto tirar suas esperanças: somos seres finitos. Não esperem  que suas carências terrenas sejam resolvidas em outro lugar. Se não conseguimos explorar nosso potencial aqui e agora, não teremos uma segunda chance. Então, qualquer coisa que nos leve ao torpor é antinatural. Simplesmente temos que manter agitados nossos pensamentos, que em última instancia são a manifestação de nossa precária humanidade. O maior medo que mora no nosso interior é o de deixar de existir, uivo último de nossa herança animal, que sempre dita a última palavra nos momentos extremos, quebrando facilmente a delgada camada de civilidade.

A grande armadilha de Lúcifer é  adormecer nossas consciências,  fazendo-nos acreditar que esta tudo resolvido, com a única finalidade de impedir nossa luta pela procura da verdade!  (Jo 8:3:2)

7 comentários em “Consciência e a ilusão do livre arbítrio

  • 03/04/2013 em 18:09
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    Acho que a vontade,dirigida,sempre,como um sentimento amoroso e universalista é a porteira aberta para tudo aquilo que sonhamos e que temos medo de acreditar.A vontade existe!

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    • 03/04/2013 em 20:21
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      A isto me referia na crônica. O ser humano deste momento, hoje, é incapaz de digerir estas descobertas da neuro ciência. Porque teria que demolir e reconstruir seus valores fundamentais. Da mesma forma que não existe um “Centro Controlador/Decisor” no cérebro, a entidade legendaria … Outras gerações criadas neste caldo de novo conhecimento são os herdeiros!

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  • 02/04/2013 em 10:11
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    “Uma das descobertas mais revolucionárias, que pode avaliar grande parte do mito dos processos cerebrais, é que a afamada “vontade” não existe!”
    Mas creio que o desejo exista.

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  • 01/04/2013 em 12:25
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    “(…) O maior medo que mora no nosso interior é o de deixar de existir, (…)” perspicazes, os criadores de religiões exploram essa verdade com a intenção de manter seu rebanho no cabresto. É muito difícil para o humano aceitar que o que somos começa e acaba aqui, por isso imaginam-se teorias sobrenaturais de reencarnação, de zumbis ou espíritos errantes. A ideia de paraíso é perseguida pelos crentes que pagam com moeda vigente para alcançá-la pós morte. Eu não critico quem acredita, mas censuro o acreditar sem questionar, pois pensar é bom e não dói.

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    • 01/04/2013 em 19:41
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      Somente as coisas deste mundo material podem ser trocadas, vendidas e compradas. A moeda é do César!

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  • 01/04/2013 em 11:56
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    Obrigada, Manuel, pela excelente crônica. “Rsrsrs … Na realidade não escrevemos para os outros, e sim para nós mesmos!” Será? essa é uma boa questão.

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