Con… sumindo

Pois é! Quando nos preocupamos em usar todos a mesma marca de roupas, estamos sumindo como indivíduos, nos transformando numa massa única, onde todos os elementos do conjunto parecem células de um mesmo organismo. No afã de comprar algo para se diferenciar de determinado grupo, acabamos nos mimetizando em outro.

A característica que antes se limitava aos adolescentes está invadindo devagar a idade adulta, e até a terceira idade. Fala sério!!!!!!

Não sei se hoje estou mais emburrada ou se o assunto é mais pesado para mim, pois acredito que o grande mal que hoje aflige a humanidade é verdadeiramente o consumismo — uma faina de comprar, uma necessidade de ter, antagonizando o ser. O processo leva a dois extremos: trabalhamos muito mais para ganhar mais e daí ter como gastar, ou obter os recursos, ou mesmo o objeto de desejo de modo escuso. O primeiro caso é pernicioso, pois como o tempo é determinado, temos que fazer escolhas deixando de aproveitar momentos de descanso fundamentais para a saúde e também a vida social: largamos a família e os amigos em segundo plano. Enganam-se os pais que abrem mão da convivência com os filhos para poder lhes dar mais. Estes,se pudessem opinar, pediriam sua companhia ao invés.

Mães que deixam seus filhos nas mãos de outrem, sem vê-los às vezes por dias, não sabem que falta lhes fazem. Geralmente são pessoas de grande cultura, mas que deixam os pequenos com pessoas geralmente de pouquíssimos conhecimentos. Está na hora de refazermos o movimento feminista. Vamos exigir (principalmente de nós mesmas) que nos dêem de volta o tempo necessário para poder compartilhar momentos inesquecíveis com a nossa prole. Não é difícil, basta abrir mão de bens materiais.

O segundo caso gera a violência, pois na ânsia de ter algum objeto de desejo, alguns que não têm capacidade de gerar os recursos necessários para tal acabam por tirar de outros aquilo que desejam. São coisas como essas que alimentam o famigerado tráfico e consumo de drogas.

Cada dia que nasce nos traz um presente: 24 horas que podemos utilizar como bem entendemos. É nossa escolha, principalmente num país democrático como o nosso. Sejamos felizes com as coisas simples da vida. No leito de morte ninguém lamenta não ter comprado uma bolsinha de grife, ou um carrão. Todos dizem que gostariam de ter passado mais tempo com a família e os amigos.

Ainda dá tempo. Faça sua escolha agora.

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6 comentários em “Con… sumindo

  • 01/09/2011 em 16:51
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    Pri,realmente este tema foi muito bem colocado,importante para a reflexão das pessoas!!!Parabéns pelas suas colocações!
    Bjos

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  • 01/09/2011 em 10:29
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    MANA, VC SABE QUE EU PENSO COMO VC.MAS QUERO DEIXAR AQUI MEUS PARABÉNS , POR QUE VOCÊ EXPRESSA MUITO BEM O QUE SE QUER DIZER.
    VOCÊ DEVIA ESCREVER LIVROS…HAHAHA

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  • 14/08/2011 em 22:56
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    Priscila, também acho o consumismo nefasto em muitos sentidos, mas penso que o nó é menos simples de desafazer do que escolher uma roupa de grife a menos (eu, aliás, não escolho por grife, mas por cor e conforto). Essa roda maluca na qual estamos todos metidos também sustenta muita gente, já pensou nisso? Não é uma defesa do consumo, mas um desespero pelo beco sem saída em que nos metemos. E o tempo para desfrutar, seja filho, amigo ou solidão… sim … é precioso, mas pensemos que não é escasso apenas para quem batalha por um novo carro ou uma jóia, mas (talvez ainda mais) para quem precisa brigar pela garantia de poder pagar o aluguel. Mundinho complicado, não!? Parabéns por provocar e repercutir reflexões importantes.

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  • 12/08/2011 em 17:32
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    Tempos Modernos!!!! Você expôs muito bem, Priscila. Estamos cada vez mais agitadas, cada vez querendo mais roupas, acessórios, carros, etc. O movimento feminista dos anos 70 e 80 precisa ser repensado! A mulher conquistou mais espaço no trabalho, mas se influenciou muito mais pelos modismos exibidos na TV. Precisamos voltar a dar valor às coisas simples da vida!

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