Compras, compras, compras!

São muito populares nos Estados Unidos as cadeias de lojas de atacado.  Não estão abertas ao público em geral. Para entrar, é preciso ter carteirinha de associado.  Meu marido, que gosta de compras tanto no varejo quanto no atacado, conseguiu autorização temporária para uma delas e, empolgadíssimo, me arrastou para lá.

DVDs!  Olha o preço!  Superbaratos e ainda vêm em caixinhas superpráticas!  Sessenta DVDs em cada.  Quero duas.  Eu também.  Não temos essa coleção das óperas de Mozart.  Imperdível.  Reparou nas televisões?  Esquece, isso não dá para carregar. As vitaminas que o seu pai pediu, só em embalagens de dois frascos, quatrocentas cápsulas cada frasco.  Leva, compensa assim mesmo.  Veja as meias esportivas!  Adoro.  Cada pacote traz uma dúzia e é barato à beça.  Você acha que três pacotes é pouco?  As cuecas também estão baratíssimas.  Você não vai levar?  Levando cinco pacotes de doze cuecas, ganha um de brinde.  Qual será o tamanho do meu irmão?  As toalhas de rosto estão em oferta, quem compra quinze tem desconto especial de vinte por cento.  Ah, e a seção de comestíveis!  M&M quase de graça, mas só vende no mínimo sessenta pacotinhos.  Embalagens de um quilo de amêndoas, galões de suco de laranja, caixas de latas de cerveja, tudo baratíssimo.  Os muffins fresquinhos saindo agora, que cheirinho delicioso.  Não resisto.  Vou pegar a bandeja pequena: uma dúzia de muffins gigantes de chocolate.  De barato em barato, olha a conta, cruzes!

Dia seguinte, hora do café da manhã: muffins de chocolate e suco de laranja.  Idem outro dia. E mais outro.  Os muffins são enormes, nós dois juntos não conseguimos comer nem metade de um muffin e eles começam a endurecer e ficar sem gosto.  No sinal de trânsito, um desempregado pede dinheiro ou comida.  Pergunto se ele gosta de muffins.  Gosta.  Ótimo!  Entrego a bandeja, ainda sobraram muitos.  O americano fica radiante, mas a nossa alegria é muito maior.

M&M.  Adoro M&M.  Agora há M&M depois de todas as refeições.  Não dá para inventar outra sobremesa, afinal são sessenta pacotes. O que sobrar vai para o Brasil, mas como pesa!  Melhor comer aqui mesmo.  Fome no meio da viagem?  Que tal um M&M?  Se o negócio é variar, tem as amêndoas.  Vamos experimentar aquele doce ali?  Nem pensar!  Já esqueceu os M&Ms?  E os outros chocolates que compramos?  Tá maluco?   Ocupam menos espaço.  Temos que comer os M&Ms.

As cervejas, não vamos beber?  Em três semanas, vinte e quatro latas de cerveja para duas pessoas é razoável.  O problema é que nunca estão geladas.  Como não pensamos nisso antes?  O guri que ajudou a carregar as malas ficou eufórico com as cervejas que você deu de gorjeta.  Aposto que ele tinha menos de vinte e um anos, fornecer bebida alcoólica a menores é crime aqui, sabia?  A gente ainda acaba na cadeia! Deixe as cervejas para a arrumadeira.  E distribua um pouco de M&M para os caras da manutenção e para os recepcionistas.

Que cansaço viajar carregando toda essa tralha!  Me sinto um caracol, andando com a casa às costas.  Tomara que as férias passem rápido.  O embrulho das toalhas nem vale a pena abrir, a gente despacha desse jeito mesmo.  As caixas de DVDs são desajeitadas, melhor jogar metade fora.  Alivia o peso das malas.  Aposto que teremos que pagar excesso de bagagem por causa das vitaminas e das cuecas.  Vai acabar saindo mais caro do que comprar no Rio.

Retornamos ao comércio de atacado americano outras vezes, porém nada se comparou a essa primeira aventura.  Aconselho.  Sai caro, mas é inesquecível.  E confesso: até hoje sinto um friozinho na barriga quando entro numa dessas lojas.  Acho que é pânico…

 

 

 

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