Como irritar o consumidor

por Sandro Vidal

A cada dia que abro minha caixa postal eletrônica para ver assuntos pessoais e/ou de trabalho, me impressiono, mais e mais, com a absurda quantidade de e-mail marketing que chega sem nenhuma autorização minha, e na maior cara de pau. Como se já não bastassem os que insistentemente enviam todos os dias (sem exceção), mesmo que você os bloqueie, avisando ao remetente que não quer mais recebê-lo e por aí vai, com a proximidade do Natal e do Ano Novo essas pessoas (ou empresas) infelizes aumentam a carga. Resultado: o que já era muito chato e inconveniente, tornou-se insuportável.

Aos “pseudomarqueteiros” de plantão, por favor, peço que aprendam que não é assim que se instiga uma compra por impulso. Existem técnicas, toda uma metodologia específica para tal, sabiam? Forçar essa barra é desrespeitar o consumidor, e, o que é pior, ainda alimenta a rejeição à marca, produto e/ou serviço.

A banalização está tão alta que duvido muito que alguém esteja abrindo tanto lixo (sim, porque vira lixo). As mensagens vão desde a venda de lingeries, sex-shops, eletrônicos, kits de emagrecimento — um dos mais inconvenientes — até a tal da caneta espiã (ninguém merece), passando por dicas de sucesso para sites de e-commerce (imagine que dicas são essas) e venda de mailing para futuras ações de e-mail marketing , planos de saúde, imóveis, bronzeamento e compras coletivas — estes, os campeões de nos importunar.

A coisa ficou tão absurda que agora ainda mandam o seguinte aviso, normalmente no final da mensagem: “ATENÇÃO: Esta mensagem é enviada com a complacência da nova legislação sobre correio eletrônico, Seção 301, Parágrafo (a) (2) (c) Decreto S.1618, Título Terceiro aprovado pelo “105 Congresso Base das Normativas Internacionais sobre o SPAM”. Este E-mail não poderá ser considerado SPAM quando inclua uma forma de ser removido. Para ser removido de futuros correios, simplesmente: clique aqui.” Ou ainda, como nessa mensagem que li hoje, de uma empresa mais imbecil ainda: “Mensagem Importante: Nossa mensagem NÃO é SPAM, veja por quê: o e-mail é uma forma de correspondência igual a uma ligação telefônica ou a uma carta. No Brasil e no resto do mundo, da mesma forma que não é necessário autorização para se mandar cartas ou telefonar para alguém, também é desnecessária autorização prévia para o envio de e-mails. De qualquer forma, não há nada na legislação brasileira que se refira à prática do SPAM, ou que a regulamente e certamente quando existir apenas tornará obrigatório ao remetente oferecer uma forma de exclusão uma vez que a proibição seria inconstitucional. Portanto, se você não quer fazer parte deste grupo de mensagem, bastar retornar este e-mail com o assunto: RETIRAR, que estaremos automaticamente excluindo seu e-mail desta lista. Respeitamos a sua privacidade. Se você não deseja mais receber nossos comunicados, cancele sua inscrição aqui.

Resumindo, você ainda tem que clicar num link que não sabe se é vírus, se arriscar a ter todas as suas senhas e informações roubadas, para parar de receber o que você não pediu? Só pode ser brincadeira, né? Surreal!

Normalmente, quando escrevo uma matéria ou uma crônica como esta, necessito de algum fato que me dê inspiração. Nesse caso, o meu estado de espírito é de total indignação. Principalmente porque participo de uma empresa de comunicação que também oferece (entre outros) esse serviço, leia-se: e-mail marketing. E numa boa, sem nenhuma autopromoção — que não é o objetivo desta —, mas o que poucas pessoas e/ou empresas sabem, é que pra se fazer uma campanha bem-sucedida na internet não precisa ser insistente a ponto de ficar incomodando aquelas pessoas que poderiam tornar-se seus clientes (consumidores). Existe, sim, uma maneira mais simpática e eficaz: basta usar o bom e velho bom senso. Será que alguém ainda lembra disso?

 

Baiano de nascimento e carioca de coração, Sandro Vidal foi criado desde os quatro anos de idade na Cidade Maravilhosa. Jornalista, empresário, professor e mestrando em Gestão Empresarial (FGV-RJ), Vidal atuou durante quase 10 anos na TV, fez e participou de vários programas no rádio, colaborou em jornais e criou congressos, feiras e eventos, sempre em prol da educação com saúde e entretenimento. Em 2007 se filiou ao Partido Verde e no ano seguinte disputou as eleições para vereador. Há 13 anos criou a Ideia Rara, empresa de comunicação e marketing que aos poucos vem conquistando seu espaço no cenário nacional. “Quem pintou my horse de green, seu primeiro livro, foi publicado em 2011 pela KBR.

 

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

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