Como eles sabem?

No meio do segundo tempo, ouço o locutor de futebol afirmar: “Fulano já correu oito quilômetros”.  Bolas, como é que ele sabe?  Será que tem um carinha cujo emprego é correr numa esteira, imitando todos os movimentos daquele jogador?  Supondo que o goleiro não interessa, são necessários dez carinhas e dez esteiras.  Fora as dez câmeras.  Gera vinte empregos, vende vinte equipamentos, é bom para os negócios.  Se a mão de obra for barata, pode-se economizar nas esteiras, basta alguém rápido o bastante para contar o número de passos do jogador e multiplicá-lo pelo tamanho médio do passo do fulano.  Mas tudo só para chegar a essa informação?   Fala sério.

Sei que vai aparecer muita gente dando ideia séria de como é possível determinar os tais oito quilômetros.  Uns dirão que basta colocar um pedômetro no jogador.  Antes que me acusem de linguagem chula, vou logo dizendo que pedômetro é um medidor de passos.  Aí, é só acrescentar algum tipo de conexão para transmitir online.  Pronto.  O locutor fica sabendo, minuto a minuto, quanto cada jogador corre em campo.  Tanta informação ao mesmo tempo pelo menos serve como desculpa para as bobagens que os locutores dizem de vez em quando.  Só não sei se jogador pode usar internet dentro de campo de futebol.

Outros dirão que é impossível determinar os tais oito quilômetros.  O locutor simplesmente chutou a informação.  Afinal, quem vai se dar ao trabalho de provar o contrário?

Mas, por que cargas d´água um locutor de renome acha bom divulgar um dado estatístico como os tais oito quilômetros?  Para mostrar que um jogador está (ou não) em boa condição física?  Para mostrar que a locução dele é a mais precisa?  Será que é exatamente isso que vai fazer a diferença na hora de pedir aumento de salário?

Cultura inútil é um negócio curioso mesmo.  Não é que rende assunto?  Locutores de futebol já descobriram isso há tempos.  Lógico.

 

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