Coming soon: Papiros Mágicos!

“Neste mundo, absolutamente todo o que chamamos de realidade objetiva é uma ficção imposta e gerenciada por grupos de pessoas na escuridão.” (Manuel Funes – Novo Romance)

livro tothSou viciado, não posso negar, em pesquisar fatos até suas últimas consequências, o que tem me levado a situações perigosas, algumas vezes engraçadas. Estou fazendo a pesquisa para meu próximo romance curto, Papiros Mágicos.

“Os Papiros Mágicos Gregos, ou apenas Papiros Mágicos, expressão frequentemente abreviada como PGM, por causa do título em latim Papyri Graecae Magicae, é um coletivo usado para um conjunto de textos, escritos primordialmente em grego antigo — mas também em copta e egípcio demótico — encontrado nos desertos do Egito.

Minha primeira parada nessa viagem assombrosa, por incrível que pareça, começa num sebo nas cercanias de Florianópolis. Como sabem, acredito nas “bolas de bilhar” que mudam nosso destino, aqueles famosos gatilhos. Tirei minhas primeiras férias em dez anos, e Florianópolis foi meu ponto de chegada, sem dúvida uma das melhores cidades do Brasil. Como bom book maniac, procurei alguns sebos para passar minhas tardes, antes de chegar a noite e sair para a balada.

Num sebo chamado “Ondina” (nome fictício) travei amizade com o dono, um tal de Roque Mathias, de avançada idade. Entre um charuto e outro (comprei sua boa fé com tabaco), me falou um pouco sobre a história da região.

“Já no início do século XVI, embarcações que demandavam a Bacia do Prata aportavam na Ilha de Santa Catarina para abastecer-se de água e víveres. Entretanto, somente por volta de 1675 é que o bandeirante Francisco Dias Velho, junto com sua família e agregados, deu início ao povoamento da ilha com a fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) — segundo núcleo de povoamento mais antigo do estado, ainda fazendo parte da vila de Laguna — desempenhando importante papel político na colonização da região.

Nessa época ocorreram naufrágios de embarcações que depois foram estudadas e deram origem a dois projetos de arqueologia subaquática em Florianópolis, um no norte e outro no sul da ilha. Diversos artefatos e partes das embarcações foram recuperados pelos pesquisadores responsáveis por essas iniciativas, financiadas principalmente pela iniciativa privada.”

O tema da conversa era a origem do seu negócio, que passou de pai para filho, lembranças de arquélogos alemães que chegaram à cidade no meio da segunda guerra, provavelmente financiados pelos nazistas, na ânsia de Hitler por objetos mágicos sagrados.

“Eram homens especiais, estes agentes. Quase todos eles com estudos superiores em arquelogia e diversas ciências. Chegaram num submarino.” Fiquei realmente interessado nas “historias de pescador” do velho.

Mas como temos Google, fiz algumas pesquisas por conta própria. Realmente, na época foram avistados submarinos nazistas, tanto no Brasil, como no Uruguai e Argentina, os famosos “Homens de Preto”. As más línguas dizem até que, antes da guerra terminar, eles se mudaram para terras mais cálidas.

Ganhei sua confiança quando lhe dei de presente um cachimbo de osso de baleia, que ganhei de um amigo marinheiro faz muito tempo. Bem, tinha que “comprar” suas histórias de alguma forma. Nessa altura do jogo, minhas férias já eram.

Numa das conversas noturnas, regadas a pinga de banana, ele deixou escapar alguns fatos, digamos, peculiares. Entre as muitas coisas que esses “Black Men” fizeram (vou escrever outro livro sobre essas coisas nefastas e esquisitas) , está a busca desesperada de um navio espanhol naufragado nas águas da Lagoa dos Patos. Segundo ele, acharam os restos da tal embarcação.

O fato é que, após muito trabalho, resgataram dois cofres de ferro fundido selados a fogo. Tiveram que utilizar maçarico para abri-los; lá dentro o tesouro era formado por grossos volumes de livros antigos, encadernados em couro com letras douradas (provavelmente ouro). Seu ascendente familiar, o fundador do sebo, tinha colaborado no resgate e nos cuidados com o achado — até esse momento tudo era muito interessante, mas uma surpresa me estava  reservada.

Perguntei se seu antepassado sabia que tipo de livros estavam guardados no “cofre de ferro”. O homem não era culto o suficiente para saber do que se tratava, porque se fosse, acredito que nem teria iniciado a conversa, me expulsaria sob a mira da espingarda.

Comprei fumo importado do Paraguai e levei para ele de presente; ele fumou como se fosse o dia do juízo final. Se ajeitou na cadeira e aproveitei para perguntar: “Então, alguém sabe o titulo de algum dos livros?” Ele me olhou em sua santa inocência e respondeu: “Sim, parece que era alguma coisa como TO, pelo menos foi o que Hans explicou para meu avô.”

Santa Catarina de Alexandria me acuda! Estaria falando do famoso, mágico, perseguido, censurado e perdido Livro de Toth?

“O Livro de Thoth, escrito por Thoth; mais deus do que homem, Toth tornou-se em um personagem mitológico. Os documentos egípcios informam que ele precedeu a grande Civilização Egípcia: seus mandatários, sacerdotes e faraós já possuíam o Livro de Toth, constituído pelos segredos dos diversos mundos e que outorgava poderes inauditos aos seus possuidores. Em 2500 a.C., os livro-papiro egípcios apresentavam tratados de ciências médicas, textos religiosos. A Idade do Livro de Toth remonta a 10.000 ou 20.000 anos (o original).”

Na realidade, estamos no meio de uma briga entre os arqueólogos tradicionais e os que acreditam que tudo o que nos dizem sobre o Egito é história para boi dormir. A primeira alusão a esse “papiro”, que foi copiado e traduzido, encontramos em Paris no ano de 1868: algumas das “personalidades” associadas a esse livro maldito, queimado em varias ocasiões — Asclepius, Koré Kosmou, Poimandres e Hermes Trismegisto, fundador da alquimia. O rastro dele deixa uma pegada de sangue, rituais mágicos e grandes líderes que talvez o tenham utilizado para seus propósitos de conquista, da mesma forma que Hitler.

Fiquei calado por um tempo. O ancião se levantou da cadeira de madeira e me fitou. “É verdade!”. Não sei se foi o sorriso ou a expressão de meu rosto, mas entrou no sebo e me chamou, “Venha, vou te mostrar”. Após um pequena porta de madeira, existia um depósito, uma espécie de sala embaixo da lojinha. Lá dentro, em prateleiras antigas, centenas de livros, bem cuidados e organizados. Eu estava ficando arrepiado. Na minha frente, abriu um armário de carvalho, muito antigo, e pegou uma folha! Fiquei mudo… Estava segurando uma parte do Livro de Toth! Deixei um depósito de R$ 1.000,00 para ele me permitir levar a folha ao laboratório de uma certa universidade, na qual tenho um amigo arqueólogo.

Após duas semanas, Pablo me ligou, “Manuel! Manuel! Como você faz isso?”. Mal respondi, “Faço o quê, cara?”, o grito me deixou surdo: “É verdadeiro! Anterior à versão de Paris…”

A famosa biblioteca de Alexandria guardava este e outros tesouros, reunidos por Alexandre, e foi queimada pelo fanatismo religioso dos primeiros cristãos. O motivo seria o de sempre: medo da “verdade”, de aceitar que existem outras realidades além da nossa. Alguns livros e papiros foram resgatados e mantidos escondidos das mentes retrógradas que dominaram o mundo “civilizado”, e esses documentos ainda circulam, de forma secreta.

O mundo ficou mais de mil anos no obscurantismo, uma idade negra e terrível que mudou o curso da história. Qualquer conhecimento classificado como pagão foi banido, e até hoje a chamada ciência oficial recusa com veemência que existam verdades além dos conceitos aceitos.

Uma mulher brilhante e bela foi a primeira “bruxa” a ser queimada pela nova Igreja (na verdade esfolada com conchas até os ossos, seu corpo cortado em cinco partes, e, finalmente, queimado); era bióloga, matemática, física, astrônoma e astróloga, versada em muitas ciências: Hypatia de Alexandria. Este é o legado trágico e miserável por trás das novas religiões que assolaram a antiguidade: homens que se opõem ao conhecimento alegando paganismo!

Depois disso, tirei algumas conclusões, e, claro meu novo romance têm a ver com livros malditos. Deus é testemunha que jurei que após Gangue escreveria alguma coisa “soft”, mas… Minha pesquisa ainda está no início, porém estou impressionado e um pouco assustado com minhas primeiras descobertas. Tenho a suspeita de que o Brasil guarda muitos segredos, de que muitas pessoas vieram para estas terras carregando objetos proibidos.

Desta vez estaremos fazendo uma pesquisa com ajuda de uma pequena equipe:  “Pablo” e a fotografa  “Luci Carvalho” estarão colaborando comigo, no projeto Papiros Mágicos, seguindo as pegadas desses misteriosos documentos e incorporando as descobertas numa trama de ficção   a ser publicado por Noga e sua KBR!

3 comentários em “Coming soon: Papiros Mágicos!

  • 07/01/2013 em 18:48
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    Coincidências! Juro.
    Mais, eu fiquei também impressionado.
    Parece que as pessoas descobriram que Brasil é um bom pais para esconder seus tesouros, não somente os literários. Somente as “entrevistas” anonimas daria um bom livro 🙂 Estou “curtindo” e aprendendo muito neste novo projeto. As coias que estão na nossa volta e não percebemos são incríveis! Vai parir uma penca de boas historias…

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  • 07/01/2013 em 16:06
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    So vc Manuel consegue achar um livro da Biblioteca de Alexandria em Florianópolis!
    Isto é que e pesquisa!

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