Cinco finais diferentes para uma história de amor

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 Meu querido Leonardo,

Quando nos conhecemos e você, com aquele suéter azul celeste que nunca esquecerei, puxou conversa, tive certeza de que era o homem da minha vida.

Tantos anos juntos, tantas dificuldades superadas, filhos criados, e eu ainda me sinto uma adolescente ao seu lado.  Continuo apaixonada: amo você hoje mais do que ontem e amanhã amarei mais do hoje.

É difícil dizer tudo que sinto.  Ainda assim, neste nosso aniversário de casamento, crio coragem para escrever esta carta e colocar no papel o que você já sabe: estávamos predestinados um ao outro de corpo e alma.

Com muito carinho da sua,

Lúcia

 

**2**

Querido Leonardo,

Mal pude acreditar quando nos reencontramos há dois meses, depois de tantos anos sem notícias um do outro.  Nunca me esqueci do dia em que nos conhecemos: você usava um suéter azul celeste e chegou de mansinho, puxando assunto.  Sempre foi homem de poucas palavras, mas seus olhos diziam o resto.  Apaixonei-me.

Lembro-me de como foi difícil e necessária a nossa separação: morávamos em cidades distantes, vidas profissionais delineadas, naquela hora não dava para abrir mão dos rumos traçados.  Por um período ainda nos correspondemos, mas aos poucos, a distância e o tempo fizeram a sua parte.

Eu me casei, tive filhos, enviuvei.  Agora sei que você também.  Não fomos infelizes, mas no fundo da nossa alma, sempre soubemos que nos faltava alguma coisa.  O destino fez com que nos reencontrássemos.

Estou me sentindo como uma adolescente e nem sei como pude viver até agora sem você.  Então, a resposta à sua pergunta de ontem é SIM.  Como poderia ser diferente?  Não é maravilhoso estarmos de novo apaixonados? Eu disse de novo?  Que bobagem, nunca foi de outro jeito!

Beijos da sua,

Lúcia

 

**3**

 Querido Leonardo,

Você não receberá esta carta, mas vou colocar no papel o que escondo de mim mesma há vários anos.

Quando nos conhecemos e você, usando aquele suéter azul celeste inesquecível, puxou conversa, achei que era só um namoro de verão.  Morávamos longe um do outro, vidas profissionais delineadas, rumos traçados.  Ao final das férias, a separação nos custou muito, mas eu não avaliei o que significaria para o resto da minha vida .

Por algum tempo ainda nos correspondemos e falamos por telefone.  Embora eu tivesse certeza dos seus sentimentos, você era homem de poucas palavras e nunca disse o que eu queria ouvir.  Reconheço minha parcela de culpa: exagerei na cerimônia, não quis interferir e, mesmo sofrendo, deixei a distância e tempo fazerem a sua parte.  Até que um dia era tarde demais para ouvir o que você nunca disse.

Eu me casei, tive filhos.  Não fui infeliz, mas sempre me senti incompleta.  A falta que sinto de você é minha companheira até hoje.  Nunca esqueci você, nunca vou esquecer.  Será que você ainda se lembra de mim?  Se tivéssemos ficado juntos, nossa vida poderia ter sido melhor ou pior, mas certamente seria muito mais intensa.

Não sei onde você está, mas esteja onde estiver, receba o meu carinho.

Lúcia

 

**4**

 Leonardo,

Infelizmente tenho que voltar mais uma vez a este assunto difícil.  Estou tão cansada de repetir isto ao vivo que, para diminuir o desgaste, resolvi escrever para você.

Se há vinte anos, quando você puxou conversa, vestindo aquele suéter azul celeste que usou até cair de podre, eu soubesse o que ia acontecer, tinha mandado você pastar na mesma hora.  Mas, inexperiente, não soube avaliar o cachorro que você era.

O negócio é o seguinte: há três (três!) meses você não paga a pensão das crianças e estou me virando pelo avesso para não faltar o básico aqui em casa.

O Marcelo teve que parar a terapia porque o dinheiro não dá e agora anda metido com más companhias.  Você quer que o seu filho acabe na sarjeta?  Felizmente a Lucinha me apóia e não quer te ver nem pintado.

Mande logo a pensão deste mês e os atrasados porque já falei com um advogado e ele me garantiu que, se você não fizer isso, em quinze dias te bota na cadeia.

Minha paciência esgotou.

Lúcia

 

**5**

 Caro Dr. Coelho:

Estou muito preocupada com o papai.  Às vezes ele nem nos reconhece e nos últimos tempos anda abraçado a um suéter azul velho e esfarrapado. Chama dia e noite por uma tal de Lúcia, pedindo perdão e dizendo que não pode mais viver sem ela.  Minha mãe se chamava Araci, não tenho a menor ideia de quem seja essa Lúcia.  Ontem mesmo o peguei soluçando, dizendo que a saudade era insuportável.

Como o senhor é amigo dele de longa data, pergunto se não pode me ajudar a esclarecer este mistério.  Se o senhor souber quem é essa mulher, vou tentar localizá-la.  Se não conseguir, penso até em contratar alguém para se passar por ela e assim aliviar o sofrimento dele.

Desde já agradecida.

Um abraço,

Marília Borba

 

 

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1 Resultado

  1. manuelfunes disse:

    Esta perdidamente apaixonada.
    Boa sorte!

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