Chega de briga!

Impressiona-me a capacidade do ser humano para a guerra, e não falo da guerra entre os povos: falo do dia-a-dia; no trânsito, na rua ou na fazenda, todos estão sempre dispostos para o combate.

“Encostou no meu carro!”, já desce o troglodita querendo matar o desavisado. Esbarrou no sujeito que dava sua caminhada matinal, trombou em alguém enquanto andava? “Seu estúpido, olha por onde anda!”

E os direitos? Nunca houve tanto direito, e tanta falta de educação: “Você não tem o direito de parar aqui!”; “Você não pode me cobrar isso!”; “Olha como fala comigo!”; e por aí vai.

Nossa! Que saudade do Zé Rodrix! Eu quero uma casa no campo, mas, coitado, mal sabe ele que nem lá existe mais sossego, é uma profusão de gente sem terra, sem cerimônia, sem noção, todos invadindo espaços sem constrangimento.

“Ok, vamos para a praia! É o melhor lugar para descansar!”, que nada!…

“Vai picolé, pipoca e queijo!”; “Chapéu, biscoito de polvilho!”; “Olha o jornal.”

“Aff! Não aguento! Vou entrar na água para me limpar!”, qual o quê! A praia está interditada para banhos, o terminal de esgoto conduz os dejetos para a princesinha do mar, sem hesitar…

Tanta briga e discussão! Tanto direito, nenhuma desculpa ou delicadeza… Só a voz mais alta impera!

Entendo cada vez mais as carmelitas descalças ou os monges trapistas. Ficar aqui, no meio deste bando de loucos, correndo o risco de ser atropelado por carros, motos, ônibus, velocípedes, skates e não sei mais o quê? Não, nem pensar! Melhor é se retirar deste mundo e esperar o dia do juízo final.

Coitado de Deus, nem Ele escapa das mais diversas polêmicas. Existe ou não existe? É judeu, é católico, muçulmano, protestante. Estou em pecado? Ou você está? Ou todos estamos? Dá vontade de pegar uma nave e ir para o espaço!

Mas que nada! Até lá já está cheio de porcaria! Satélites antigos, pedaços de nave, lixo espacial. Será que existe algum lugar no mundo em que se possa ficar em paz? Dizem que estou recolhido demais, que a vida se encontra lá fora, que temos que enfrentar o mundo. Concordo; mas a natureza é a que menos nos causa mal. E não estou brincando!

De vez em quando, ela se revolta, mas isso se justifica. Com tanta gente furando a superfície da Terra, poluindo o ar, jogando todo tipo de tralha e lixo nas águas, não é de se admirar. Mas haja terremoto e furacão para diminuir a fúria do homem. Haja cataclismos para que ele desperte para o respeito e para o afeto para com o próximo.

Nas grandes tragédias, muitas vezes, vê-se, é verdade, o pior do homem, mas também se avista o gesto humanitário, a solidariedade, o conforto e a amizade. Então, por que tanta briga e discórdia?

Ficamos estarrecidos com o conflito entre árabes e judeus, mas não temos a menor cerimônia para discutir com o nosso vizinho de prédio ou de bairro. Será verdade que o homem é o lobo do homem? Será que o nosso destino é nos destruir mutuamente, nos tornando uma grande Ilha da Páscoa? Não posso acreditar.

Numa terra onde Da Vinci, Michelangelo, Aleijadinho e uma série de poetas, filósofos e escritores viveram e criaram imensuráveis obras de arte e de civilização, deve haver espaço para a paz e a concórdia.

Não quero saber de quem é a razão; quero paz e tranquilidade. Sou o único?

 

 

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3 Resultados

  1. Cristiane disse:

    Um dos melhores que já li !!! Parabéns ! A mais pura verdade …

  2. manuel funes disse:

    A verdade é que nosso cérebro de réptil (temos mas três) nos comanda a maior parte do tempo, sexo, fome, agressividade e por ai vai. No final das contas somos animais que temos a ilusão de ser gente…..

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