Cavalheiro

IN14_FEDERER_1177575fFui assistir no Ginásio do Ibirapuera à apresentação de jogos de tênis de grandes e famosos tenistas, como o nosso brasileiro Bellucci, Maria Sharapova, Serena Williams, Tsonga, e deixei por último o simplesmente espetacular Federer.

Já o tinha visto jogar outras vezes, mas agora no meu próprio país com nossa calorosa torcida e bem mais próxima da quadra tive a oportunidade de ver um jogo maravilhoso, onde parecíamos estar apreciando um professor experiente mostrar ao seu pupilo vários golpes diferentes de tudo o que se possa imaginar. .

Ângulos inesperados, jogadas divertidas, posições corporais quase impossíveis, tomadas de decisão em frações minúsculas de tempo — tudo isso demonstra por que ele é hoje considerado o melhor tenista de todos os tempos.

Entretanto, não é sobre seus golpes que quero falar aqui hoje, e sim de seu cavalheirismo. A cada ponto, muitas vezes de deixar a torcida boquiaberta, o grande tenista simplesmente abaixa a cabeça e vai tomar sua posição na quadra. Era um jogo exibição, apenas contra o excelente Tsonga, então algumas vezes, após uma brincadeira em quadra, podia-se vislumbrar um sorriso divertido de alguém que estava num pais conhecido pela alegria e descontração. O suíço se mostrava muito mais à vontade do que lhe é habitual, mas mesmo assim, com a classe que o caracteriza sempre.

Estou certa de que todos apreciam a classe e o cavalheirismo nos homens, mas são raros aqueles que se dispõem a praticá-los. Essas características podem ser encontradas em qualquer classe social e econômica, não é a cultura que ensina a alguém como se comportar com gentileza, mas sim o respeito pelos seus semelhantes.

Alguns acham que delicadeza no agir, principalmente com as mulheres, denota fraqueza, e poderia levar a uma suspeita de falta de masculinidade, mas geralmente são esses homens que acabam fazendo sucesso com o sexo oposto. Fazer algazarra aos brados, incomodando os demais, não cativa nenhuma mulher; comer de maneira rude, muito menos, sem falar de outras funções corporais que devem ser exercidas única e exclusivamente de maneira particular. A masculinidade que encanta as mulheres é sutil, e se deixa vislumbrar somente em algumas ocasiões especiais.

Federer é um exemplo disso tudo. Mostra sua virilidade na força e rapidez de seus golpes, mas para por aí, sempre elogiando seus adversários e quase se desculpando por sua superioridade. Seu carisma está exatamente aí.

Tenho a felicidade de conhecer uns poucos homens assim. Estão sempre levantando a moral de suas mulheres, presenteando-as e elogiando-as. Essas atitudes somente trazem benefícios a eles. Me entristece ver que muitas mulheres estão querendo se equiparar aos homens justamente no que eles têm de pior, usando palavreado chulo e de baixo calão e tomando atitudes grosseiras. Ainda por cima se queixam de que há escassez de homens, ora, para esse tipo de companhia os machos preferem seus pares, pois, como grande vantagem, não têm que tolerar as mudanças constantes de humor que nós apresentamos.

Deixo aqui minhas felicitações para o maior tenista de todos os tempos, mais do que isso, para o grande cavalheiro que ele é.

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Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

5 comentários em “Cavalheiro

  • 14/12/2012 em 21:54
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    Excelente crônica. Você conseguiu captar, num esportista de alto nível que por sua competitividade tenderia a mostrar a agressividade de alguém disposto a ganhar sempre, o carisma que emana da educação, do trato e do bom humor de um rapaz que soube colocar o respeito ao próximo acima do talento e do poder que a fama lhe trouxe. E seu brilhante texto ainda aproveitou para mostrar, como numa faixa bônus, o que algumas mulheres teimam em não perceber: imaginar que o feminismo é uma oportunidade de incorporar a grossura e a falta de educação de alguns homens a seu pequeno repertório cultural, Por essas e outras é que rareiam homens como Federer, adorado por mulheres sensíveis e admirado por homens autoconfiantes, enquanto abundam mulheres que não se valorizam e vivem a reclamar da escassez do sexo oposto.

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  • 14/12/2012 em 13:46
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    D++++++, Priscila, amei. Concordo c/ tudo o que vc escreveu sobre ele.
    “todos apreciam a classe e o cavalheirismo nos homens, mas são raros aqueles que se dispõem a praticá-los”.
    “não é a cultura que ensina a alguém como se comportar com gentileza, mas sim o respeito pelos seus semelhantes.”
    Essas duas frases resumem muito bem, os dias de hj, em que as pessoas só se preocupam c/ o seu próprio bem estar. Não c/ o outro.
    Parabéns!!!!

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  • 14/12/2012 em 11:33
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    Você está coberta de razão. Federer é o maior tenista de todos os tempos, mas ele agora acabou de dar uma entrevista dizendo que não se pode comparar tempos distintos e que ele não enfrentou grandes nomes como Borg, Laver e outros fantásticos jogadores do passado. Mas o que melhor define a cavalheirismo desse gênio do esporte foi uma declaração de seu maior adversário, o espanhol Nadal, de que perder ou ganhar de Federer é perder ou ganhar de um homem que trata o derrotado ou o vencedor da mesma maneira. É por isso que há seis anos ele além de ter recebido três vezes o título da ATP de maior tenista do ano, recebe sempre o de mais querido do público e do exemplo de cavalheirismo. Você já reparou como o grande tenista que é o sérvio Djokovic comemora suas vitórias, como bate no peito, como mostra onde a bola entrou. Eleito com méritos, pelo segundo ano consecutivo o melhor tenista do ano, nunca receberá o prêmio do mais querido do público nem o de melhor desportista. Esportista e desportista são pessoas distintas. Só os gênios conseguem ser ao mesmo tempo o melhor desportista e o melhor esportista. Parabéns pela sua crônica e pelo modo inteligente que passou do campo do tenis para o da relação entre as pessoas. Um Feliz Natal!

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