Burro também é gente

Andando pelas ruas do Rio de Janeiro, vou lendo compulsivamente tudo que aparece no caminho: publicidade em ônibus, cartazes, ofertas nas vitrines, avisos, preços das farmácias, sinais de trânsito. Esqueço quase instantaneamente a maioria dessas informações, mas de vez em quando uma delas se fixa no meu trampolim de ideias. É o caso da frase que li hoje no vidro de um automóvel: “Bicho também é gente”.

Bicho não é gente. Tem gente que é bicho, é bem verdade, mas o contrário é absurdo.  Acredito até que exista bicho que se acredite gente, como alguns cães que se comportam como parte da família.  Vários tem destino melhor do que muitos humanos: existe vida mais privilegiada que a de cachorro de madame, de preferência morando na Barra da Tijuca?

O autor dessa pérola provavelmente é bem-intencionado. Quem a exibe no automóvel, também. Acredito que o objetivo é defender os animais dos maus tratos. Muito justo. Adoro animais, não todos, mas a grande maioria.

Podem zoar, mas um bicho que eu detesto é barata. E o adesivo do tal carro era ilustrado, num canto, pelo desenho de uma barata. Como se não bastasse a citação, ainda acrescentaram a barata… Barata também é gente. Não dava para passar despercebido, mesmo.

Bicho não é gente e precisa ser respeitado em sua natureza. Se pudessem falar, certamente os animais se queixariam da forma como são tratados em diversas situações. Duvido que algum deles, se consultado, concordasse em se fantasiar no carnaval (ou fora dele) como se o mundo fosse acabar amanhã.

Quem ama os animais não precisa dizer bobagens para demonstrar o seu ponto de vista. E não é assim tão difícil perceber que, dentro do seu habitat, muito bicho é mais inteligente do que algumas pessoas que andam por aí.

 

 

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