Bloquinhos de rua: salve-se quem puder

Será que serei taxada de maluca se eu disser que Carnaval não é a minha praia? Será que os amantes e aficionados de uma das maiores festas do mundo, e que viajam, às vezes, milhas e milhas para conseguir ver de perto esse espetáculo na terra, entendem quando uma carioca diz que foge disso tudo como o diabo da cruz?

O negócio é que esta é a minha realidade. Tudo bem, admiro o Carnaval do Rio. Mesmo, de verdade. Falo dele porque é aqui que vivo, e por isso esta é a minha referência real de um Carnaval. Admiro muito todas as escolas de samba, admiro o trabalho árduo que é montar fantasias, alegorias, carros, as coreografias e, sobretudo, admiro as pessoas que amam esta festa. Tem gente que já nasce vestido para a Sapucaí, que já começa a sambar na barriga da mãe, que vive para o Carnaval. Isso tudo é muito legal. É cultural, é tradicional, e cada vez mais essa arte tem sido aprimorada. Que bom para o nosso país, que atrai milhões de olhares do mundo todo!

Para quem não gosta do calor e da multidão do sambódromo, é simples: basta acompanhar os desfiles pela televisão, no conforto de casa. Tudo ótimo: a Sapucaí lá e eu aqui. O que me traumatiza no Carnaval é outra coisa. São os blocos de rua. Ah, meu Deus do céu! Quem inventou aquela espuma branca de amargar, que os foliões espirram em quem estiver passando por perto? Quem inventou aquela buzina assassina de tímpanos? Será que essa pessoa tão criativa não tem mãe? Não é querer passar por velha e chata. Chato é a cidade virar um caos e sermos todos obrigados a parar a vida para ver a banda passar.

E quem os segue, não falo de todos, mas podemos dizer que a grande maioria, manda lembranças para a educação: fazem xixi na rua;  jogam copos e latinhas de cerveja no chão; passam por cima de quem estiver na frente; jogam espuma na cara do outro; e não estão nem aí para a hora do Brasil, afinal, é CARNAVAL, e dane-se o mundo. O legal é você ir até a festa, se tiver interesse, e não a festa te atropelar. Por isso, a minha birra. Entendem?

Todos têm o direito de curtir, mas esse espaço acaba quando começa o do outro. Para não me irritar, fujo. Se pudesse, ia para as Ilhas Maurício, para Bora Bora, para o Havaí, sei lá, para qualquer lugar longe da multidão ensandecida. Ano passado, na verdade, nem precisei ir tão longe. Buenos Aires acolheu de forma maravilhosa esta foliã às avessas. Este ano……a serra é meu destino.

Bom carnaval para quem fica. Salve-se quem puder. Fui!

 

 

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1 Resultado

  1. Nádia Lôbo disse:

    Você não é maluca não amore rsrs . Você colocou SUPER bem… a falta de educação,de respeito e a violência hoje, afastam as pessoas das ruas, dos blocos e etc. Confesso que já curti muito, mas do jeito que anda o mundo, tô fora e rezo pra ele passar logo, pois o que ouvimos depois que o carnaval acaba que é pior, tantos acidentes e mortes #Medo. Faço do carnaval descanso, pulo na minha casa com churrasquinho e amigo,isso qdo não me isolo em algum lugar.. O máximo que faço às vezes é levar minha filha um pouco na rua, mas com um olho no padre e o outro na missa rsrs, Amei a crônica como sempre.Bjão e um bom feriado prolongado pra você.

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