Bichinho de estimação

— Au, au, au, auuuuuu!

— Querido!

— Oi! — eu disse, recém acordado.

— Ele deve estar com fome — comentou a esposa mais charmosa e linda, logo ao amanhecer. Impossível resistir ao encanto.

Levanto-me e de chinelos desço as escadas, ainda como em sonho, com a sensação de voar.

Qual não foi o susto ao tropeçar no boneco gigante do homem-aranha do meu filho! Três degraus pulados num átimo, com pouso de ginasta olímpico e tudo.

Graças a Deus não quebrei nada!

Bem desperto, fui até a porta e abri na boa vontade.

O cachorro veio pra dentro e toquei a correr atrás. Não é que o pestinha estava todo sujo? Estabanado, foi derrubando o que via pela frente.

Corri os cem metros e agora o pulo não foi em altura, mas sim em distância. Peguei! Duas lambidas e vamos nós para fora.

Puxa! O pobrezinho estava faminto. Cadê a tigela? Busco uma e tome água, mas ele não se engana: duas lambidinhas e novos latidos.

— Tudo bem! Calma, menino — segurei o fofinho e fomos para a loja de ração. Há uma na esquina.

Na loja, o fofinho tentou agarrar de tudo. Comprei a ração, e depois de muitos olhares de pidão, ainda levei uns ossinhos para mordiscar, bola, coleira nova, caminha nova e roupinha para os dias frios. Outro susto, a carteira…! Eu tinha esquecido. Ainda bem que o dono é meu amigo, e aceitou receber depois. Saí vermelho de vergonha e com os braços cheios.

Cadê o fofinho? Vinha logo atrás.

Ufa!

Em casa, lhe dei comida. E o banho? O pelo do bichinho estava precisando de cuidados. Esperei confortavelmente uma hora e… tome banho, já que o dia era de sol. Na volta, para pagar a compra anterior, ainda comprei um shampoo especial.

O dia passa. A noite vem e tome latidos e uivo.

No dia seguinte, minha esposa me acordou cedo novamente. Puxa, era domingo. Mas a pergunta não podia esperar:

— Qual o nome dele?

E eu que não tinha pensado nisso…

 

Edegerdo Hardt Junior

Edegerdo Hardt Junior nasceu em Jacareí, São Paulo, em 1974. Aos três anos foi morar em Taubaté, cidade onde vive até hoje. Descobriu o maravilhoso mundo da leitura com a mãe; no colégio descobriu a vontade latente de escrever, a que deu vazão por intermédio da poesia. Formado em advocacia, atuou profissionalmente em Taubaté por sete anos. Em 2010, com o falecimento de seu avô materno aos 100 anos de idade, ainda jornalista ativo, voltou a praticar outros gêneros de escrita que não o jurídico. Seu livro de estreia, Algo para pensar: uma aventura diária, será publicado em breve pela KBR.

Um comentário em “Bichinho de estimação

  • 15/09/2012 em 15:20
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    Um dia deste vou contar numa crônica o verso da moeda… É uma historia aterrorzante sobre cachorros… O pior é que é real… costumamos ver o mundo bucolicamente…

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