Bewitched

As mulheres são anjos. Quando suas asas são quebradas, pegam uma vassoura e saem voando, pois são flex.

Era uma vez um anjo. Aliás, uma anja. Quando andava pela Terra em forma de mulher era amável, carinhosa, dedicada, inteligente, culta, linda e amada por todos os que a conheciam, exatamente por ser como era. Mas alguém quebrou suas asas e tomou seu lugar. Todos se deixaram enganar pela aparência e, em princípio, acabaram envolvidos.

O senso de humor continuava fino. A mulher que tomou seu lugar era amorosa, sabia como ninguém ser delicada para com os que a cercavam, mas deixava às vezes transparecer a amargura que lhe estraçalhava a alma. Sua língua era como um chicote que açoitava todos que lhe queriam bem: podia magoar fundo os mais sensíveis. Até que um dia…

Bem, aqui é lugar de crônica e não de conto de fadas, portanto, usando um pouco a metáfora da historinha aí em cima, vemos nos dias de hoje ao nosso redor muitas mulheres nas mesmas condições, sem saber direito como agir.

A mulher moderna, que usufrui dos benefícios da chamada revolução feminina, perdeu um pouco a mão e carregou na dose. Antes, aceitava tudo, sem retrucar. Hoje não aceita nada, e fala tudo o que lhe vem à cabeça, um tipo de atitude que não pode dar certo. É fato que essas mulheres têm que se haver com os problemas do cotidiano, assumindo todas as cargas que lhe são atribuídas; e quando são feridas, retrucam às vezes sem pensar e tornam-se agressivas, justamente com os que a cercam e nutrem por ela sentimentos de amor e amizade, já que os outros não aceitam e revidam. Ninguém quer ser agredido, então ocorre o afastamento, mesmo a contragosto. E assim outro problema vem se juntar aos demais.

Faz-se necessário, sim, aproveitar tudo o que a duras penas conseguimos, mas sem tentar copiar atitudes que têm mais a ver com o sexo da testosterona: agressividade é entendida como parte de um processo fisiológico hormonal do homem. A fêmea tem lá seus diazinhos de espírito de porco, mas tem que cuidar para que o resto do mês seja ameno.

Temos que dar a mão à palmatória para essas heroínas do cotidiano. Suas vidas não são fáceis, dadas as inúmeras atribuições que têm hoje. Pois é. Sabemos que não é fácil, mas o melhor mesmo é esquecer a vassoura, tratar das asas quebradas e voltar a voar alto, com graça e beleza, na certeza de que o voo está sendo acompanhado. E admirado de verdade.

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2 comentários em “Bewitched

  • 02/09/2011 em 10:53
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    Tenho muitas amigas e as amo de coração sabendo respeitar suas limitações e apreciando suas qualidades.

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  • 26/08/2011 em 19:27
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    Olá Priscila!
    Muito bom o que voc~e escreveu sobre nós mulheres! Mas que de vez em quando dá vontade de pegar a vassoura e sair voando, isso dá!
    beijo grande

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