Bem perto da felicidade

O bar estava cheio, mas os dois estavam sozinhos. Na verdade, estavam sozinhos há muito tempo.

Ela estava como sempre, sabendo o que queria, mas insegura; ele a escutava,sempre gostara da voz dela.

Ela falava da sua vida, das suas dúvidas, de algumas certezas. Ele concordava com o que ela dizia, mas sorria ao discordar daquilo que ele já tinha vivido, e ela, não.

Tinham se conhecido na faculdade, ele professor, ela sua aluna. Agora já eram colegas, mas ela ainda o via de forma diferente. Pediram mais uma cerveja, a moça que os atendia explicou:

— A gente já está fechando!

— Dá para trazer mais algumas, num balde com gelo? — pediu João, com seu jeito sedutor.

A moça sorriu e disse que sim.

— Você não tem jeito! — sorriu Silvia.

Continuaram a conversar; ela se disse meio perdida. Tinha terminado um relacionamento e se sentia sem desejo de recomeçar, encontrar alguém.

— Às vezes ficar sozinha é bom! — disse ele.

Ela aquiesceu. Mas se disse cansada de tentar entender a vida e as pessoas. Seus relacionamentos começavam de um jeito, mas logo se tornavam uma prisão.

— Quando a gente se liga a alguém, não tem jeito. Estar junto é criar um laço! — ele explicou, do seu jeito.

— Mas é este o meu problema! Quero um laço, quero estar junto, mas parece que ao mesmo tempo fico aflita com a obrigação!

— Não se pode ter os dois, Silvia! É a tal da escolha!

— Então não tem jeito. Vou ficar eternamente sozinha.

— Acho que não! Você é bonita demais para isso!

Ela riu do comentário.

— Uma vez sedutor, sempre sedutor. Não é, professor…

Desta vez quem riu sem graça foi ele.

— Só acho que se relacionar é mais do que certeza, sempre há um pouco de dúvida: será que ainda gosto dele? Será que ela gosta de mim? — disse Silvia.

— Quando o vento para, o barco não anda. Só gostar não é suficiente! — ele disse isso a olhando com paixão, tentando dizer algo que ela ainda desconhecia.

— Então me diz o que é… — pediu ela, olhando o amigo com esperança.

— Não sei! — respondeu, sem graça. — Acho que não sou bom professor!

A moça trouxe a conta sem eles pedirem. Pagaram e saíram. Ele lhe estendeu a mão, que ela segurou tranquila. Talvez ela não tivesse percebido, talvez não quisesse ver. Mas era bom estarem juntos. Naquela hora, ela não se sentiu sozinha. Ele a sentiu perto, talvez tão perto como nunca antes.

 

 

3 comentários em “Bem perto da felicidade

  • 15/09/2012 em 15:18
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    Os mamíferos somos gregários.
    adj. Diz-se dos animais que vivem em bandos ou em grupos.
    Que é próprio das multidões: ilusão gregária.
    Instinto gregário, tendência que leva os homens ou os animais a se juntarem, perdendo, momentaneamente, suas características individuais.

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  • 14/09/2012 em 01:40
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    Por diversas vezes, ou melhor, determinadas estrofes me encontrei…rs

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