As duas caras da coroa

Nos últimos dias tive a felicidade de participar de três eventos absolutamente diversificados. Passarei a narrar a vocês o que aconteceu.

No último domingo participei de um campeonato de beach tennis. É um esporte novo no Brasil, muito praticado nas quentes areias das praias exuberantes do Rio, que conjuga o vôlei, o frescobol e o tênis. Não é para qualquer um, pois ficar correndo e saltando na areia fofa exige pernas de avestruz. Bem, do tal torneio participaram moços e moças a partir de 18 anos; considerando agora, acho que eu era a mais velha da turma, mas não houve em nenhum momento discriminação de qualquer tipo, seja de sexo, de idade ou de categoria de jogo.

O DJ Jacaré mandou muito bem no som, que agradou a todos. Foi um domingo cheio de alegria, com esporte, chá gelado, refri e cerveja. A energia contagiante recarregou minhas baterias. Não ganhei nenhum troféu, mas no próximo campeonato podem me aguardar, não vai ficar assim.

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Na terça tive um encontro com os ex-alunos do Caetano de Campos, colégio público considerado o melhor do Brasil nos idos tempos até a década de 1970. O pretexto foi uma homenagem ao médico que dá nome à escola, pelo 120º aniversário de sua morte. O evento foi programado, com ansiedade e animação, por alguns integrantes do Facebook, e acompanhado de perto no site onde se trocaram fotos amareladas e informações sobre colegas há muito não vistos.

Alguns professores em idade bastante avançada lá estiveram e foram homenageados; acredito que receberam suas placas comemorativas com bastante emoção. Naquele dia a Praça da República, que abriga o prédio suntuoso que foi ocupado pela escola e viu as tropas do exército na década de 1960 atropelando revolucionários e aterrorizando os alunos, pôde testemunhar a alegria de senhoras circundando a praça de braços dados entoando canções vencedoras de festivais que na época faziam a alegria da turma. Essa coragem só temos agora, pois morreríamos de vergonha na época. Mais um benefício que a idade nos traz. Tenho certeza de que minha idade era mediana com relação aos colegas.

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Na quarta estive reunida com as senhoras que compõem as voluntárias do Departamento de Assistência Social do Clube Pinheiros. São mulheres que dedicam uma tarde por semana a trabalhos manuais que, vendidos, são convertidos em benefícios para as famílias dos funcionários do clube. Há algumas mulheres de até mais de 90 anos que ali encontram as amigas, tomam um lanchinho, batem um papo colocando as novidades em dia. Essas pessoas também são beneficiadas pela inclusão.

Prestamos serviços de reciclagem, onde material antes considerado lixo é transformado pelas mãos competentes e carinhosas dessas mulheres em verdadeiras obras de arte: são centenas de enxovais de bebê, blusas, gorros e luvas de lã, tricotados com Pontos de Amor (grife da oficina), e também mantas, almofadas e cobertores compostos de retalhos, sobras de confecções. Lá sou considerada uma quase criança que traz novas ideias e agita o ambiente.

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                As moedas que compõem a riqueza de minha vida têm várias caras. Daí o título que escolhi para esta reflexão.

 

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Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

6 comentários em “As duas caras da coroa

  • 27/09/2011 em 19:13
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    Considerando a nossa amiga Priscila que esta sempre a mil por hora,seja no esporte,na vida cultural,ou nas boas ações do nosso DAS que realmente é muito importante para que se crie um espirito de voluntariado e uma atitude de solidariedade entre os associados , fica ai pergunta em qual area voce se supera?
    Acredito eu, que em todas pois voce amiga, é polivalente.
    Bjs
    Aldi

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  • 26/09/2011 em 20:33
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    Oi Pri!! Que ótima surpresa eu ter ido ào jantar, aliás, estava tudo maravilhoso, parabens. Adorei teus 3 momentos, todos diferentes mas nos mostrando o quanto a vida é boa, boas férias.

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  • 26/09/2011 em 14:41
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    Mana véia, tenho curtido suas cronicas, que me enchem de orgulho pelo talento da irmã mais velha, que sempre foi minha ídala, principalmente na infãncia.Pude curtir em especial o momento “Caetano”, por que estávamos lá juntas…estar lá juntas,por tantas horas, as mesmas emoções sentindo, como diria uma amigo meu, isso , já foi um presentão
    .É muito bom estar com você!!!Beijão

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  • 26/09/2011 em 07:55
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    Olá Priscila,
    Sua jovialidade é fantástica! E você traduz tudo em palavras muito acertadas!
    Tenha férias ótimas. Portugal é um país fantástico!
    beijo grande

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  • 26/09/2011 em 02:34
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    Oi Zé Luiz.
    Continuando minha vida cheia de diversas moedas agora estou no aeroporto de Madri esperando meu voo para Lisboa onde encontrarei minha filha para férias de 10 dias. Já mandei a cronica da próxima sexta para a editora, portanto sem atrazos.

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  • 25/09/2011 em 21:58
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    Como também participei de um dos eventos, o da “Caetano de Campos”, sou suspeito para comentar tal encontro que foi maravilhoso, na declaração mais contida dos participantes de várias gerações.
    Mas, não entendi o porquê da “coroa”?
    Afinal, você era das mais jovens e joviais do encontro. Pelo menos foi o que se pode apreciar nas fotos.
    Só lamento não ter encontrado e conversado com você lá.
    Fica para a próxima, certo garota?
    E não nos deixe mais na ansiedade das sextas-feiras sem sua crônica.
    Abraço,
    José Luiz

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