Aquela paradinha

Às vezes eu sinto uma falta imensa de dar aquela paradinha, sim, aquela, no meio do dia, no meio do caos, no meio do stress, aquela que precisamos por natureza, por necessidade básica. Agora há pouco mesmo eu fiz isso. Precisava pensar na minha crônica, em qual seria o tema, e presa no computador trabalhando, não tem inspiração que surja na mente, nem do além. Parei e respirei. Estiquei as pernas. Foi tão agradável, tão fora do meu costume, tão necessária essa paradinha, que em menos de cinco minutos veio o insight. Já sei que minha crônica será sobre isso!

Precisamos sim, parar de vez em quando. E não estou falando de muito tempo. Alguns minutos já são suficientes para nos reorientarmos e seguirmos melhor o resto do dia. Entramos tão fundo nesse furacão de coisas e mais coisas que temos para resolver, seja no trabalho ou na vida pessoal, que esquecemos de parar para olhar a vida em volta. Tem um sol brilhando lá no céu, passarinhos voando, pessoas passeando na rua, o vento nas árvores, o mar na orla, um avião partindo para outro canto do planeta, enfim, um mundo que gira e se movimenta.

Essa natureza à nossa volta precisa ser apreciada todo santo dia, nós precisamos dela de maneira fundamental, só não nos damos conta disso. Experimentem naquele dia de pura perturbação, em que as coisas parecem não dar certo, largar tudo e sair. Sair para ir até a padaria, mas sair. Deixar aquele ambiente que não está fluindo e respirar outras energias. Depois, voltem e vejam como tudo muda. No fundo, é a gente que muda nossa sintonia: descansamos um pouco a cabeça e tudo volta para o seu devido lugar. E se não volta, ao menos conseguimos ter melhores ideias de como resolver.

Me lembro bem das paradinhas da minha avó Selma no meio do dia. Eu chegava da escola e lá estava ela dando uma revigorada com as pernas para o ar e “pensando na morte da bezerra”, como ela mesma dizia. Hoje o mundo moderno nos engoliu. Nem pra pensar mais no bezerro dá: o apito de email chegando no smartphone a cada dois segundos nos traz rapidinho de volta para a vida real. E assim a gente vai, em um redemoinho automático diário que não nos deixa sentir que há vida lá fora. Vamos mudar isso.

Agora que acabaram de ler, aproveitem, está na hora de dar aquela paradinha…

 

 

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