Amélia, versão dois

Já considerei o que teria acontecido com a Amélia, aquela considerada a mulher de verdade: meu teclado aceita qualquer coisa que eu escrevo sem contestar. Não é uma maravilha? Ninguém mais faz isso por mim. Vejamos o que teria se passado.

Já sabemos que a tal Amélia não está mais com seu grande amor, já que ele agora está com aquela esbanjadora exigente que tudo o que via, queria, aquela que só pensava em luxo e riqueza. Parecia não ter consciência. Nem via que ele era um pobre rapaz.

Acredito que teria sido realmente um grande amor por parte da Amélia, pois ela passava fome ao lado dele e até achava bonito não ter o que comer. Não podia vê-lo contrariado, e o consolava com palavras carinhosas.

Bem se podia ver que Amélia era uma pessoa sem ambições, já que nada fazia para modificar tão terrível cenário. Poderia perfeitamente ter arranjado um emprego e assim abastecer ao menos sua despensa, mas, não, ficava naquele marasmo esperando a vida passar e alguém que a sustentasse.

Deu no que deu. O rapaz, apesar de ser meio devagar ou, talvez, meio de vagar, era bonitão e logo achou quem o quisesse tirar daquela situação: foi quando encontrou a perdulária. Era uma mulher um pouco mais velha do que ele e bastante experiente. Gostava das coisas boas da vida. Deu um jeito de arranjar um bom emprego para o moço e o incentivava a persistir na carreira; não dando trégua, estimulou-o a prosseguir com os estudos que tinha abandonado. Se queriam prosperar na vida, teria que ser enquanto ainda eram jovens e tinham disposição.

Planejava tudo meticulosamente e, depois de algum tempo, se casaram; quando a vida já estava estabilizada, tiveram dois filhos, viveram dois anos no estrangeiro enquanto ele fazia mestrado, e foi aí que ela finalmente abandonou o emprego e dedicou-se a transformar seu lar num lugar perfeito, onde o marido tinha muito prazer em descansar depois da longa jornada de trabalho. Estava sempre perfumada e muito bem arrumada, recebia muito bem os amigos e também fazia bonito nos eventos corporativos.

Aos poucos, a moça foi trocando as bijuterias por joias e os vestidos das lojas de departamento por roupas de alta costura. Os meninos colocou nas melhores escolas que o dinheiro podia pagar. O marido, às vezes, quando chegavam as contas do cartão de crédito, ainda cantarolava para ela em tom de brincadeira: Ai, meu Deus, que saudades da Amélia!!! E os dois riam, felizes.

Quanto à Amélia, sinto dizer, mas a vida é dura para quem é mole. Foi caindo de déu em déu cada vez mais; entregou-se ao vício, primeiramente álcool e depois drogas. Alguns dizem que a juventude se acabou muito antes do tempo e ela vaga pelas ruas da cidade, aceitando caridade ou praticando pequenos furtos para sustentar o vício.

Somos responsáveis por nossas escolhas.

 

 

Se você não leu nossa “Amélia, versão um“, aproveite para ler aqui. E visite também meu novo site: www.priscilaferraz.com.br, espero você lá!

 

 

 

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3 Resultados

  1. O mundo muda e nós mulheres, vamos avançando com ele!
    Parabéns Priscila.
    Hoje você arrasou.,
    beijo grande

  2. majoy disse:

    Está super criativa einh amiga?? Gostei …parabéns!
    Majoy

  3. Maria Thereza Waisberg disse:

    Muito bom. A coisa é essa mesma: crua, de amargar. Panela e tampa, quem é que ousa nomear o nome masculino do par de Amélia II ?

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