A vida não é fácil!

Joaquim chegara na hora esperada, um adolescente precisando fazer a barba. Alguns fios, mas, para ele, um grande passo que lhe traz a satisfação de firmar-se no mundo como rapaz, um pré-adulto.

Foi até a farmácia à procura do aparelho com que debutaria na vida de adolescente responsável, pois fazer a barba não é para qualquer um, e cria mesmo esse encargo que ajuda no crescimento e dá disciplina.

Eis que na repartição ao lado dos cosméticos estavam os ditos aparelhos de barbear. Olha de cá, olha de lá, e os aparelhos iam desfilando suas lâminas cortantes e reluzentes.

Os minutos corriam e Joaquim decidiu fazer uma análise das inscrições, só para ter a certeza de que estava adquirindo o melhor produto. As letras minúsculas nas embalagens traziam palavras as mais variadas, cheias de estrelas que não provavam seu brilho. A dúvida apenas aumentou.

Joaquim viu um funcionário chegar perto, e escutou a oferta:

— Posso ajudá-lo?

— Por favor! O senhor poderia me indicar o melhor aparelho de barbear?

O funcionário da farmácia matou de primeira, ou seja, descobriu que era um estreante à sua frente, e foi logo explicando um após outro os aparelhos. Como percebeu que não havia mudança no entender de Joaquim, o vendedor lhe indicou um aparelho e disse:

— Leve este, é o que tem mais lâminas e você não vai se cortar! É uma maravilha.

Joaquim agradeceu e foi ao caixa. Pena que ao ver o preço do aparelho levou um susto. Não é possível! É muito caro. Deu meia volta e foi escolher outro. Depois de dois minutos, voltou com o mais barato.

Em casa, Joaquim faz a primeira barba. Sai do banheiro como papai Noel, mas o vermelho não está na roupa e sim no rosto… o importante é que a barba rala sumiu. Seu Antônio observa o filho e comenta:

— Joaquim! Quando precisar de uns conselhos sobre fazer barba é só pedir!

— Pai! Como o senhor consegue fazer a barba sem se cortar?

Seu Antônio levou o filho para o banheiro e ao ver o aparelho lhe disse que aquela peça não era das melhores.

— Pai! Eu até andaria com a barba feita com esses aparelhos que custam muito caro, mas sem os olhos. E outra coisinha que gostaria de saber: Como um aparelho que tem mais lâminas pode cortar menos?

O pai ficou parado, e perguntou:

— Explique esta coisa de sem olhos.

— É simples! O aparelho custa “os olhos da cara”.

Seu Antônio deu um sorriso.

— Meu filho! O aparelho que tem mais lâminas é o que corta melhor, mas também é o que tem melhor precisão e não machuca tanto — O pai abriu o armário e tirou um pós-barba. — Após fazer a barba, use isso no rosto.

Mal Joaquim coloca o pós-barba no rosto, dá um pulo e comenta:

— Acho que não estou pronto para ser adulto.

— Mas por quê? — perguntou o pai.

— Porque não estou pronto para dar o sangue diariamente por uma simples barba. E muito menos dar o sangue para comprar o barbeador.

A satisfação do progenitor ficou estampada num sorriso com gosto de bênção,  a aprovação de um novo estágio na vida do moço. Não é todo dia que vemos um filho aprender que “a vida não é fácil”, o que ocorre geralmente quando atinge um naco de maturidade.

 

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