A Vida da Gente

Esta é a primeira vez que faço uma crônica sobre novela. Não tenho tido muito tempo para assistir. Antes, eu era noveleira assumida, via todas, deixava gravando enquanto ia para faculdade, debatia o tema, me indignava, me divertia, me emocionava. Agora tá difícil mesmo uma novela me encantar, me pegar de jeito.

Aconteceu desta vez, por acaso. Assisti um capítulo enquanto estava de férias, assim como quem não quer nada, e pronto: bastou para que eu me apaixonasse.  E foi com aquele sentimento de pena que assisti na sexta-feira passada o último capítulo da novela das 18h00 da Globo, “A Vida da Gente”. Eu já era fã da Marjorie Estiano e também da Fernanda Vasconcellos, que agora interpretaram como ninguém o drama, e que drama, vivido por duas irmãs, que passaram a amar o mesmo homem e também a dividir a mesma filha. Aliás, que homem e que filha! Em cada cena, em cada detalhe, elas deram um show à parte. Difícil não chorar com o texto, com os olhares entre o triângulo amoroso, com a relação entre filha e mães, com a história como um todo.

Novela boa é assim. A gente entra de cabeça, esquece a vida em volta, se vê na pele dos personagens, até sofre e ri junto com eles. Novela boa não tem  vilão ou mocinho, tem a vida como ela é. Tem dilemas que são reais, que acontecem com todos nós ou, se não acontecem, poderiam acontecer. Novela boa é aquela que retrata o cotidiano, com personagens ambíguos,  afinal ninguém é de todo mal e nem de todo bom, ninguém é só perfeito ou só imperfeito, ninguém é só fraco ou só forte. Somos todos seres humanos em crescimento, em amadurecimento, e, por isso, erramos e acertamos. Assim devem ser também os personagens de uma novela. Essa coisa caricata e clichê do malvado e do bonzinho já ultrapassou o nível do sem graça.

A Vida da Gente acabou de forma linda, sensível, encantadora. A mãe postiça e tia de sangue doa o fígado para a filha doente, que não pôde receber o fígado da mãe biológica, pois esta esteve em coma por alguns anos. O pai, que é a grande paixão das duas irmãs e que também as ama loucamente, se decide por aquela que o ensinou a virar homem. A outra se decide pelo médico que cuidou dela a cada minuto em que esteve desacordada no coma. Isso tudo, depois de um diálogo emocionante e libertador entre os dois pais biológicos, Ana e Rodrigo. A cena final são os dois casais passeando com a pequena filha Julia no meio, todos de mãos dadas. O que nos mostra, mais uma vez, que não há regra para uma estrutura familiar perfeita, ou melhor, não deveria haver. O que importa é o amor que aquela criança irá receber, seja de um ou dois pais. Seja de uma ou duas mães, mesmo que essa segunda mãe seja sua tia.

No fim, o importante é o amor, a educação, o carinho e os valores transmitidos àquele pequeno ser.

Fica a dica e viva a vida da gente!

 

 

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