A primeira crônica do webmaster

 

Na literatura e no jornalismo, uma crónica (português europeu) ou crônica (português brasileiro) é uma narração curta, produzida essencialmente para ser veiculada na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas páginas de um jornal. Possui assim uma finalidade utilitária e pré-determinada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o leem.

Isso tá lá no Wikipédia. Li e reli uma dúzia de vezes. Cheguei à conclusão de que a Wikipédia, o mais antigo projeto de enciclopédia livre que existe na web, também tá antigo. Vou entrar lá hoje pra editar essa frase, e vou incluir: “… seja nas paginas de uma revista, seja nas paginas de um jornal ou de um blog. Pronto. Estaremos todos cobertos. 🙂

Sou webmaster por profissão já há alguns anos.  No cotidiano deste trabalho, venho acompanhando o desenvolvimento do universo virtual de perto. Sempre me inquietou essa transição que a internet representa para os negócios tradicionais, o impacto no modus vivendi  das pessoas quando a variável “internet” é inserida. E inserida com força, como se diz.

Admirável mundo novo, agora. Tablets, blackberrys, iphones, notebooks, compras pela internet. Crianças e adolescentes na segurança de seus quartos, mas interagindo com o mundo. O home office, sem necessidade de deslocamentos diários para o trabalho. Um mundo em que, agora, só saímos de casa se quisermos ver outras pessoas, sentir o cheiro de gente diferente, abraçar outro ser humano. E o problema do analfabetismo cibernético, que acomete os acima de 40 anos, afastando-os  mais ainda dos jovens e adolescentes que têm neste mundo seu meio ambiente natural.

Todas as necessidades humanas normais supridas na tela de um computador, coexistindo pacificamente com uma loja cheia na véspera do Dia das Mães, em um shopping center lotado. A possibilidade concreta de hoje podermos viver em comunidades rurais, ou localidades afastadas, conectados por banda larga, se contrapondo ao trânsito impossível das grandes cidades.

Quanta mudança. Como é enorme a capacidade de adaptação do ser humano.

Leitor obsessivo que sou desde a infância, iniciei com Monteiro Lobato — a coleção inteira —, tendo em minha biblioteca cerca de 400 títulos em livros de papel. Muitos outros foram emprestados e nunca mais os vi, saudades… Qualquer coisa me apetece, desde que não seja séria ou densa demais. Quero é me divertir, viajar… Sei do cheiro do papel, sei do peso do livro em minha mão esquerda, sei do conforto que isso me proporciona pouco antes de dormir. Sei da dúvida que me incomoda desde sempre, se devo ou não usar a orelha do livro para marcar a pagina, amassando a capa, ou se uso um marcador de livros qualquer. Sempre começo usando o marcador, que invariavelmente se perde, e as orelhas daquele livro também vão ficando amassadas…

Talvez esta venha a ser a maior mudança que o mundo já viu: o e-book. Esta mudança do papel para a tela será gradativa, porém inexorável. A própria KBR Editora, patrocinadora deste blog, pioneira brasileira com seus primeiros títulos publicados para Kindle 3 anos atrás, já avalia e formata um projeto que levará ao MEC um estudo de viabilidade para implantar, ao longo dos próximos 10 anos, uma das maiores mudanças já vistas na política publica educacional brasileira: livros escolares transformando-se em e-books escolares.

Fico imaginando mochilas mais leves, um incremento nos processos de aprendizagem, a diminuição do tempo de aprendizado, da dedicação da criança  ao período escolar, professores corrigindo provas em casa e simultaneamente o aluno e seus pais acompanhando a correção, tudo online, aqui e agora; o conceito de idade mínima para estar em tal ano letivo sendo definitivamente substituído pelo conceito mais simples  de capacidade de aprendizado daquela criança/ individuo que for mais capaz, progredir mais rápido, crianças completamente alfabetizadas aos 4 anos… A gradativa e inevitável atrofia e morte da caligrafia, substituída pela digitação, e, posteriormente pelos comandos de voz… UAU! Assustador e fascinante!

Quanta mudança. Como é enorme a capacidade de adaptação do ser humano. 🙂

Na KBR vemos o início. O e-book é o início desta revolução de hábitos e costumes que vai levar de roldão a literatura, o livro didático, a didática em si e todos os seus demais desmembramentos, positivos ou não.

E sobre o webmaster, e sua primeira crônica? Prometo falar sobre isso nas próximas vezes. Explicar sobre sites e blogs, como devem ser e podem ser melhorados, motores de busca — Google, Bing, Yahoo e outros —, o novo processo cultural que envolve os websites e a internet, principalmente no Brasil, da importância de seu trabalho ou negócio estar bem representado na web, falar da transição da lojinha tradicional para seu duplo virtual, de sites vendedores: não basta ter um site na web, tem que fazê-lo acontecer etc. etc. E etc.

Por hoje, só queria saudar a KBR e vislumbrar seu destino.

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

6 comentários em “A primeira crônica do webmaster

  • 26/07/2011 em 14:41
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    Caetano.
    Texto excelente, muito explicativo. Sinto-me muito orgulhosa de estar na vanguarda de todos esses acontecimentos. Afinal, fui primeira classe de tênis aos 57 e vice campeã do estado de São Paulo, corri minha primeira meia maratona aos 58, publiquei meu primeiro livro aos 56, enfim estou apenas começando. Me aguradem.

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  • 26/07/2011 em 11:01
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    Querido Caetano, que bacana!!!
    Adorei sua crônica, sua fala, sua visão, etc, etc e etc.
    Tenho certeza de que vou aprender muito com você… e como preciso aprender!!! Beijão!

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