A maldição de Tutancâmon

tutankamonA noite do deserto é cálida, com as areias rondando os corpo dos justos e pecadores. O hálito dos mortos se mistura ao dos vivos; é um daqueles momentos que mudaram a historia.

O Cairo é um reduto de ladrões, assassinos e arquélogos frustrados, em busca dos tesouros de nobres mortos, que segundo a lenda, irão ressuscitar para castigar os que perpetraram, pela cobiça, profanação do descanso eterno dos faraós.

A cidade está imersa em maus presságios, silente, estática; um barulho de asas ecoa pelas consciências. Lorde Carnavon olha pela janela do luxoso hotel; ao longe as pirâmides se erguem, orgulhosas e indiferentes, ante os acontecimentos misteriosos que estão a ponto de eclodir.

Deuses antigos, nascidos além das origens do tempos, acima dos pecados banais, não desejam transformar homens em seus semelhantes — estes pensamentos rondavam a mente do lorde enquanto se lembrava do dia da descoberta junto com seu arquélogo Howard Carter, após ter desafiado a elite científica de sua época. Ao final da tarde, tinham entrado no sepulcro intocado de um faraó, Tutancâmon, que perdera a vida aos dezoito anos. Tinham ficado a noite inteira dentro do recinto, e se  apossado de algumas relíquias, desobedecendo a lei egípcia. E nesse mesmo dia uma enorme tormenta de areia chegou de lugar nenhum, se precipitando sobre as escavações, o início de muitas ocorrências esquisitas associadas à descoberta.

O sucesso se transforma em soberba e loucura, homens se tornam meras marionetes das circunstâncias, Lorde Carnavon se vendeu para um jornal, o London Times. Fez negócios com um legado que não era seu.

Sou Tutancâmon, semideus! / Estou a cumprir minha missão / Não deixar que os homens / Esqueçam suas origens divinas / Que mulheres adornem os templos / Homens façam sacrifícios / O tempo se submete à minha vontade / Estrelas param no firmamento / Meu Pai rege os mistérios do Cosmos / Senhor da vida e morte nos mundos / Íbis protege as águas sagradas do Nilo / Sou imortal! / Malditos! / Aqueles que profanarem meu repouso / Mandarei as asas da morte / Pousar sobre suas cabeças.

O calor entrava pela janela, como névoa noturna; o mosquito vingador passou e o picou levemente, porém, de forma mortal. Na manhã seguinte, ao fazer a barba, cortou o rosto, justamente no lugar da picada, que infeccionou… Seu sangue estava contaminado e o miasma se espalhou; após uma semana, o corpo sem vida jazia sobre a alfombra egípcia.

Na mesma hora, a energia elétrica deixou de fluir no Cairo, o que os administradores ingleses registraram como fenômeno sem explicação. De forma sincronizada, em Londres, a três mil e duzentos quilômetros, sua cachorrinha acordou proferindo um som macabro e morreu logo a seguir. Diversas “coincidências” foram relatadas.

A lista de mortes “peculiares” é enorme. Em 1923, morre acidentalmente o irmão de Lorde Carnavon. Jack Gould, um dos investidores, morre de pneumonia após visitar o túmulo. Richard Berthel, que ajudou a classificar o tesouro, se suicida em 1949. Lorde Westbury atira-se do prédio onde morava, morrendo no meio-fio; tinha consigo um vaso encontrado na escavação. Quando Carter morre de forma “quase” natural, mais de uma dúzia de pessoas que haviam tido alguma relação com o caso tinham sucumbido de formas “esquisitas”.

Foram feitas diversas pesquisas. Alguns cientistas disseram que poderia haver fungos dentro da tumba, outros que substâncias letais foram enterradas junto com o faraó para evitar saques. A verdade é que a última vítima mortal, no ano de 1966, foi Moamede Ibrahim, que autorizou o transporte das peças para uma exposição em Paris: morreu atropelado “acidentalmente” após assinar os documentos do empréstimo.

Ainda hoje, com as modernas tecnologias aplicadas à arquelogia, persistem os mistérios e coincidências. Turistas que visitaram o túmulo tocando os afrescos também sofreram “doenças” inexplicáveis. Este vídeo conta em detalhes a historia tenebrosa.

Lord Carnarvon“Julgo que maior parte dos historiadores sentem, assim como eu, uma impressão de mal-estar, de incerteza até, quando penetram numa sala que fora fechada e selada por mãos piedosas 3 mil anos antes. Nessa altura o tempo perde todo o seu significado. 3 mil anos, talvez 4 mil, se passaram desde que o homem deixou de pisar este solo, e contudo o arqueólogo está rodeado, por todos os lados, de indícios de vida: o balde ainda meio cheio de argamassa que tapou a porta, a lâmpada oxidada, a impressão de um dedo na parede, um ramo de flores colocado no patamar numa última homenagem. Dir-se-ia que o morto foi enterrado ontem! O próprio ar que respiramos não se renovou durante milênios; partilhamo-lo agora com aqueles que colocaram a múmia na sua última morada. O conceito de tempo desaparece…. e aquela atmosfera que permaneceu aprisionada durante milênios nos faz sentir-nos como intrusos, ou profanadores….”

(Howard Carter – arqueólogo, o descobridor da tumba do faraó Tutancâmon)

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2 Resultados

  1. Adorei. Conte mais, Manuel! Abraços!

  2. eu acho que existe um forte misterio sim, muito medo tb
    talvez ele fosse um extraterrestre

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