A largatixa

Pouca vergonha, alguém que se pretende uma escritora escrevendo “largatixa”. Por acaso estaria sem corretor de texto? Você, meu leitor, deve estar abismado como a editora teria deixado passar esse erro de ortografia. Bom, vou contar o motivo.

Aquele pessoal de lá de longe tem histórias interessantíssimas para contar, e desta vez nos surpreenderam com uma que, façam-me o favor. Sempre falamos principalmente sobre os bichos do cerrado, são maravilhosos, mas pouco conhecidos. Nosso tamanduá-mirim é tão engraçadinho que deixa para trás o panda, mas ninguém o conhece. Alguém já viu um brinquedo de pelúcia desse animalzinho? Ele é também conhecido como “tamanduá de colete”, pois parece estar vestindo um coletinho preto, e ainda como “meleta”.

Já estou me perdendo outra vez.

Pois estávamos nós de noite contando causos, tentando impressionar os peões com a história de um americano que é encantador de cavalos. Foi um programa de TV que vimos onde esse cowboy literalmente encantou vários animais reconhecidamente abusados, que não aceitavam nenhum tipo de intimidação e muito menos acatavam as ordens que lhes eram dadas pelos domadores. O homem chegava mais ou menos perto do bicho e começava a falar baixo. O mais impressionante é que falava em inglês, aqueles cavalos deviam ser muito cultos, pois pareciam compreender muito bem. Aos poucos, o cavaleiro ia chegando perto, afagando, e logo passava uma corda, subia e cavalgava como se conhecesse o animal há anos. Uma coisa que chamou a atenção foi que um dos antigos tratadores chegou a chorar, por pensar que por muitos anos tinha maltratado os cavalos completamente sem necessidade, pois o adestramento era feito meio na marra.

Nesse instante, o Juvenor, que é caseiro na fazenda UP, soltou um sorriso que mostrava, aliás como sempre, que ele tinha uma história ainda melhor.

A noite era de lua cheia e lá fora a claridade era impressionante, mas dentro de casa estávamos acompanhados de um chiadinho que vinha da lanterna a gás e iluminava parcamente o lugar. Pouco antes tínhamos acompanhado o nosso satélite nascer do alto da serra. Preparamos-nos para finalmente escutar o que ele tinha para nos dizer.

Juvenor, com sua barba ruiva por fazer de vários dias, todo sardento e manchado por anos ao sol, começou soltando sua risada infantil; depois disse que quando ele ainda era rapazinho conheceu um domador que não havia cavalo que ele não amansasse. Sempre que aparecia um bem brabo, lá era chamado o fulano para resolver. Todos ficavam absolutamente abismados com a capacidade com que o domador ficava parecendo como que pregado na sela, ou mesmo em pêlo, no lombo de cavalo. Um dia, quando estavam reunidos todos na casa do tal adestrador, depois de muita cantoria, cerveja e pinga, o homem contava vantagem se gabando de que nunca, jamais tinha levado um tombo de cavalo. Nessa hora a mãe de tal figura entra na conversa e resolve esclarecer o mistério: ela mesma era a responsável pelas façanhas do rapaz, pois sempre dava um jeito de caçar uma “largatixa”, matar e arrancar o seu courinho e pregar nos fundilhos das calças do moço. Dessa modo, não haveria maneiras de ele cair.

Como era de se esperar, caímos todos na gargalhada, mas a que mais se ouvia era a do próprio Juvenor, que se divertia tanto que chegava a bater as mãos nos joelhos.

Uma boa risada sempre nos ajuda a liberar endorfinas. Fomos dormir muito felizes.

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5 Resultados

  1. renata disse:

    Eu nao usaria a LARGARGATIXA ela e dona da propia vida……………………

  2. Aldi Matarazzo disse:

    Oi Comadre,vamo punha essa LARGARTIXA no Clube ,uai quem sabe ela pode atrapaiá os mar acompanhado.
    Conta mais ,nóis estamos aguardando!!!

  3. Cris Christiano disse:

    Muito boa! Essa mãe do Juvenor deve ser A figura … To esperando ansiosa mais causos! Beijones

  4. MAJOY disse:

    HUAHUAHUAHAUHUA…ADOREI ESSA HISTÓRIA, IMAGINA SE ESSA MODA PEGA??? AI ,AI ..COITADINHAS DAS LAGARTIXAS… HUAHAUHAU…BJSSSSS

  5. Olá Priscila!
    Mais uma vez parabéns! Você óuve muitos causos da nossa gente e é uma fantástica contadora de histórias! Se eu soubesse, teria guardado muito corinho de lagartixa para me manter firme nas cavalgadas!

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