A festa

natacao_0056Na última segunda-feira fui a uma festa em comemoração ao Dia do Funcionário no Clube Pinheiros. Vários diretores estiveram presentes para prestigiar e confraternizar com eles. Era um dia chuvoso e o local muito bonito, uma estância próxima de São Paulo.

Achei muito interessante conhecer outra face dessas pessoas que se apresentam profissionalmente todos os dias para nós. Muitas diferenças foram notadas, por exemplo: a garçonete muito solícita e uniformizada em seu trabalho deixou que seus cabelos soltos mostrassem um rosto lindo que eu nunca tinha notado antes; ou os pegadores de bolas de tênis, que aproveitaram as quadras e puderam eles mesmos jogar seu esporte, que fica por muito tempo na vontade latente ao verem outros aproveitando seu lazer no dia-a-dia.

Quantos mostraram suas preferência s sexuais livremente, coisa que não fazem durante o trabalho! Depois de muita cerveja, que era fartamente distribuída assim como refrigerantes, a franga começou a correr solta pelo local, com gente dançando ritmos até então desconhecidos para mim – quem sabe o que é “leklek”? Pois eu fiquei sabendo.

Alguns resolveram soltar a voz no karaokê em guinchos insuportáveis, trazendo o riso a tantos quantos estivessem por ali. Entretanto, alguns talentos foram revelados, mostrando gente que bem poderia estar fazendo arte por aí.

Alguns prêmios foram sorteados e todos queriam ganhar. Já notaram como nós gostamos de ganhar qualquer coisa? Pode ser algo de nenhum valor, e até ser um estorvo na hora de arranjar lugar em casa para o bagulho. Lembro-me quando meus filhos eram pequenos e apesar de terem muitos brinquedos, se regozijavam quando ganhavam uma prenda na festa junina, geralmente bolas imensas que mal cabiam no carro na volta.

Numa brincadeira, foram arremessados para a plateia — havia oitocentos participantes — prêmios simples, como panos de prato confeccionados pelas sócias voluntárias, e havia muito marmanjo se atirando por cima dos outros para agarrar a prenda, me lembrando o arremesso do buquê de noiva onde as solteiras desesperadas disputam as flores com frenesi.

Coisa que me deixou aborrecida foi ver a quantidade de comida que alguns colocavam no prato e ali largavam, somente porque era de graça. Ainda falta muito treinamento e educação. Nosso povo brasileiro, salvo exceções, ainda não aprendeu a viver em comunidade, onde o bem de todos depende de pequenos gestos de cada um, contribuindo para que o todo seja aprazível.

No próprio clube, a falta de espírito de coletividade leva a que cada considere exclusivamente suas necessidades, sem pensar no que a maioria necessita e muitas vezes desrespeitando as normas ali exigidas.

Lembro-me sempre de uma citação do ex presidente dos EUA, John Kennedy: “Não pergunte o que a América pode fazer por você, mas o que cada um pode fazer pelo bem da coletividade”.

De qualquer maneira, foi extremamente gratificante confraternizar com os funcionários que, pelos comentários, se agradaram muito do dia de festa.

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

2 comentários em “A festa

  • Pingback: A festa | Priscila Ferraz

  • 22/03/2013 em 14:17
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    Querida Priscila! Que bom saber da linda festa e dos talentos revelados por alguns de nossos funcionarios, pois, quando estamos relaxados e sem o compromisso de trabalho podemos mostrar outros dons até então desconhecidos. Parabéns a tds, funcionários e organizadores.

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