A Escolha

Há alguns dias fizemos a abertura de um bazar que conglomerava 113 ONGS. Proferi algumas palavras que peço licença para transcrever aqui:

“Muitos não compreendem e nos questionam o que nos leva a sair do conforto de nossos lares, abrir mão de horas de lazer e até do trabalho, desprezando ganhos econômicos e financeiros em benefício de pessoas que às vezes nem conhecemos, associações, comunidades etc., às vezes abrindo mão até do que nos é mais caro, que é a companhia da família, amigos e até da saúde.

“Para quem pergunta, é difícil explicar, pois não vieram com essa marca no DNA. Essa força que nos compele tem vários nomes: cidadania, patriotismo, amor ao próximo.

“É muito bom estar em companhia de nossos pares, pois somente nós sabemos por que o fazemos sem necessidade de explicações. A sociedade não teria estrutura, caso faltasse gente abnegada fazendo o trabalho que muitas vezes seria obrigação dos governos, mas, como eu sempre respondo: alguém tem que fazer. Entretanto, os benefícios que temos em retorno são tantos, em matéria de agradecimento, de carinho, de sorriso, de abraço, de palavras de incentivo e, principalmente, um acalento na alma que nos ilumina os dias, que o trabalho até nem parece sacrifício.”

Mais difícil ainda é justificar o trabalho de síndicos de prédios, dirigentes de clubes associativos que não visam lucros. A explicação é a mesma, só que nesses casos os beneméritos têm como benefício participar e frequentar esses lugares pelos quais tanto zelam. Vejo no meu clube, com as eleições que se avizinham, tantas pessoas ávidas por vencê-las, cada qual achando que pode trabalhar ainda melhor pela associação. Todos, ou pelo menos a grande maioria, é muito bem intencionada, lutando com as armas que têm: alguns apresentando resultados positivos de suas gestões anteriores, outros usando de armas menos nobres.

Do outro lado estão aqueles que escolhem por algum motivo não participar da gestão, ou melhor, ficar do outro lado da urna, que aliás nem é mais urna e sim um computador, mas mesmo assim participando ativamente no processo; e outros ainda que nem saem de casa para cumprir seu papel exercendo a cidadania, mas que, geralmente, são os que mais criticam, e geralmente pensam que o mundo gira em torno de seus umbigos, buscando soluções para seus próprios problemas e esquecendo que a comunidade tem que ser gerida para a maioria.

A escolha é realmente muito difícil, pois os candidatos apresentam argumentos antagônicos e o eleitor fica desorientado. Meu conselho é que se baseiem em fatos concretos e palpáveis, pois são incontestes. Palavras vão ao vento.

Desejo a todos muito boa sorte e espero que vençam os melhores.

 publicado também aqui

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

2 comentários em “A Escolha

  • 12/05/2012 em 20:55
    Permalink

    Oi Pri!!!
    Quem faz o bem não importando a quem, o faz sem esperar nada em troca e este gesto de humanidade e amor ao proximo é que o dignifica. Deus abençõe a quem dá e a quem recebe. Bjs no coração e continue sendo essa “pessoinha” maravilhosa.

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  • Pingback: A Escolha | Priscila Ferraz

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