A consciência da finitude

 

Autorretrato da artista quando idosa

(em resposta a Claudia Valle)

por Maria Anna Machado 

 

“Ter consciência do fim é esperar por ele”, dizem. Não precisamos esperar por ele. Sabemos dele. A contagem regressiva começa no mesmo ato do nascer.

Ser velho é ter atravessado esta aventura que se chama vida e estar ainda batalhando. Sei que muitos têm limitações físicas, mas há jovens também com limitações, e os moços também morrem. A diferença é que há jovens que lutam para diminuir a deficiência física, mas outros não, não querem ou não podem. Com o avanço da ciência, posso muito bem ter o sonho de chegar aos 100 anos, afinal já tenho oitenta. Tenho artrite sim, mas existem anestésicos e exercícios para amenizar.

Não fico me lembrando… Ah!!! No meu tempo… Meu tempo é este… estou viva… o computador já deixou de ser mistério, estou pensando no iPad… os Ds e outros joguinhos dos netos eu não uso porque tenho o computador para “criar”, não para brincar com a criação de outros. Penso no Jobs e só não vou criar como ele porque não tive o conhecimento necessário; tempo ainda tenho, e ainda vou ter muito… Mas ser gênio é outra coisa… para isso não basta querer e ter tempo.

Agora, para fazer minha vida ser tão excitante e tão maravilhosa como a dele deve ter sido, não é preciso ganhar milhões, ser reconhecido pelo mundo todo, nem o vizinho precisa me conhecer. Não preciso ser um gênio para fazer minhas maravilhas.

Gosto do que faço, não fico lembrando o que não tive ou não fiz. Faço sempre o que  posso e, principalmente, tento não magoar ninguém, de resto, viver é o ato mais maravilhoso que Deus poderia desejar para um pupilo seu. Agradeço com humildade.

Ah! Uso tudo que tem cara de “moderno”, quer dizer, não tenho preconceito contra nada. Claro que não exagero, para não “escandalizar a neighborhood“.

Bem… acho que não devo exagerar, estou “meio” surda e a dificuldade para aprender o inglês está me matando… mas podem ter certeza, logo estarei entendendo… Só preciso lembrar que eles escrevem de um jeito e falam completamente diferente: quando você diz “ai”… é “I” mesmo… uau, [e muita regra, mas tenho certeza de que vou aprender…

Sinto, mas ainda vou escrever muita coisa, umas boas outras nem tanto… mas estarei por aqui, ok?

 

Nota da Editora: Maria Anna se mudou recentemente para Palm Beach, nos EUA, onde vive com a família e pinta em seu computador.

 

 

Maria Anna Machado é pintora por nascimento e escritora por adoção. Suas pinturas são sua alma, seus escritos seu coração. Completou oitenta anos e se voltasse a nascer não mudaria um minuto sequer, pois todos foram vividos com intensidade, serenidade e amor. Atlants — atol das formigas é seu primeiro romance publicado.

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

3 comentários em “A consciência da finitude

  • 23/05/2012 em 14:58
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    Adorei teu texto e espero que continues escrevendo o que sentes.

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  • 09/04/2012 em 19:24
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    Olá Maria Anna,

    Adorei sua crônica.
    Parabéns!
    Concordo que enquanto estamos vivos, é para viver!!!!! Com tudo o que se tem direito!

    beijo grande

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  • 09/04/2012 em 17:13
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    Maria Anna, compre correndo o iPad. Você vai adorar!

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