A alegria

O garotinho entra na sala cheia de adultos, e sua expressão é de perplexidade. Há tanta coisa que ele não sabe…

Qual o significado de todas essas pessoas juntas em sua sala? Nesse momento, as gentes grandes começam a cantar uma música – essa já é conhecida, vem sendo repetida incessantemente pelas duas mulheres que estão sempre por perto cuidando para que tudo esteja em ordem para ele. Essa música dispara um gatilho e o bebê instantaneamente começa a bater palmas, tentando acompanhar o ritmo ao mesmo tempo em que abre um sorriso quase sem dentes. Algo acontece em seu corpinho que causa um estremecimento, enquanto ele olha a todos em frenesi. A sensação é muito boa.

A luz foi apagada e somente uma vela ilumina o ambiente. O garotinho olha também para o lugar onde havia luz e, de repente, sumiu sem que ele entendesse. Sua mãe, que o carrega no colo, diz para ele fazer alguma coisa, mas embora ele até sinta o que ela quer, ainda não consegue assoprar uma única vela. Ele quer sentir mais essa sensação e recomeça a bater palmas; todos ao seu comando recomeçam o “parabéns”.

A sensação que ele tem é de alegria, mas ele ainda não sabe. Não sabe também que é o único animal na face da Terra que conhece esse sentimento. Até quando será capaz de suportar esse estado de euforia sem se cansar? Não muito. Logo estará chorando e pedindo descanso.

A alegria pode ser considerada o melhor sentimento que uma pessoa pode ter. Não vamos considerar aqui sentimentos mais nobres, como amor, compaixão etc… Estou falando de satisfação! Na alegria, todo o nosso corpo fica feliz, se manifesta tão intensamente que parece que não podemos ficar contidos dentro dele e temos que gritar, pular, correr, rir, até extravasar tudo. Depois ficamos com aquela sensação boa.

Esse sentimento, como todos os outros, se manifesta com mais intensidade na infância e adolescência. Os jovens estão sempre prontos para rir e gargalhar, é só juntar duas ou três garotas e logo pode-se ouvir seus gorjeios; os garotos também em seus jogos riem de tudo. Vários podem lembrar o júbilo de ver seu nome na lista de aprovados para a faculdade, ou na convocação para um campeonato esportivo: normalmente levam a mão à boca em incredulidade e logo explodem em risos, saem correndo para compartilhar a alegria.

A alegria desperta a generosidade ao invés do egoísmo, pois quanto mais compartilhada, mais aumenta. Um beijo muito esperado também nos faz querer sair dançando. O riso traz saúde, nada de mal se pratica quando se está alegre. Não se ouve falar de um assassinato ou crime quando o agente estava alegre.

Acredito que por toda a nossa vida devemos cultivar esse sentimento. Embora ele surja com mais facilidade na juventude, podemos criar mecanismos que nos levem a ele, como, por exemplo, nos cercar de pessoas de bem com a vida, praticar esportes e comemorar resultados intensamente, manter amizades de tempos antigos, pois os casos marcantes, mil vezes repetidos em encontros com ex-colegas, nos fazem rir, sempre.

Todos passamos por problemas, mas se logo os deixamos de lado em nossa memória, e não os repetimos à exaustão nem ficamos escutando casos de tristeza e doença, eles parecem se esvanecer, perdem sua importância.

Espalhemos pois a alegria. Afinal, hoje é um bom dia para isso.

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1 Resultado

  1. Olá Priscila.
    Como sempre sua crônica está muito boa!
    Me fez de lembrar de ontem! Encontrei uma amiga, fomos a uma padoca e tomamos uma cerveja lembrando os velhos tempos! Comemos um prato de mandioca frita sem pensar no colesterol! Lendo sua crônica vi que preciso fazer isso mais vezes.
    beijo grande

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